Quem criou o Pix: Banco Central iniciou o projeto antes da gestão Bolsonaro
Sistema de pagamentos instantâneos teve base legal aprovada no governo Dilma e desenvolvimento técnico iniciado em 2018

A dúvida sobre quem criou o Pix gera debates políticos frequentes, mas documentos oficiais provam que a ferramenta é uma infraestrutura de Estado. O sistema de pagamentos, atualmente responsável por mais da metade das transações financeiras no país, possui autoria técnica do Banco Central. O desenvolvimento da tecnologia não ocorreu de forma isolada, sendo o resultado de um processo contínuo que envolveu diferentes gestões federais antes do seu lançamento oficial em novembro de 2020.
A viabilidade da plataforma digital exigiu uma preparação prévia do mercado. Nos mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva, políticas de bancarização expandiram o acesso da população de baixa renda ao sistema financeiro. Posteriormente, em 2013, a gestão de Dilma Rousseff sancionou a Lei nº 12.865, regulamentando os arranjos de pagamento no Brasil. Essa legislação permitiu ao Banco Central supervisionar o setor, estabelecendo diretrizes de interoperabilidade que serviram de alicerce para a futura rede de transferências.
Base legal no governo Dilma e a criação do Pix pelo Banco Central
O avanço tecnológico da ferramenta começou a ser estruturado anos antes da eleição de Jair Bolsonaro. Relatórios de vigilância do Sistema de Pagamentos Brasileiro já discutiam o tema em 2015, e o marco prático ocorreu em 2018 com a formação do Grupo de Trabalho de Pagamentos Instantâneos. O próprio Relatório de Gestão do Pix documenta que a plataforma foi elaborada “a múltiplas mãos”, sob a coordenação do corpo técnico do Banco Central. O desenho operacional completo foi divulgado publicamente em dezembro de 2018.
Durante o ano de 2019, a autarquia financeira seguiu o cronograma de definições operacionais previamente planejado, apresentando a marca oficial em fevereiro de 2020. Em outubro daquele mesmo ano, data em que as instituições iniciaram o cadastro das chaves dos usuários, Jair Bolsonaro foi questionado sobre a novidade. Na ocasião, o então presidente associou o sistema a uma medida de aviação civil e declarou que iria “conversar com o Roberto Campos Neto” para compreender o funcionamento da tecnologia.
Interesses internacionais e o debate sobre quem criou o Pix
A precisão histórica sobre a origem da plataforma ganha relevância diante de movimentações recentes no mercado financeiro global. O sistema reduziu os custos de transação para os brasileiros e diminuiu a dependência de métodos tradicionais, impactando diretamente o faturamento de grandes corporações internacionais de cartões. Reportagens recentes indicam a existência de articulações políticas, envolvendo figuras como Donald Trump e parlamentares brasileiros, que poderiam resultar na taxação ou na alteração do modelo gratuito e público que caracteriza a ferramenta.



