Parada SP desafia projeto de lei com multas milionárias e confirma presença de crianças no evento
Evento na Avenida Paulista contará com 14 trios elétricos e ações de inclusão, enquanto aguarda decisão do prefeito Ricardo Nunes sobre veto.
A Parada SP realizará sua edição comemorativa de 30 anos no dia 7 de junho de 2026, a partir das 10h, na Avenida Paulista. O evento terá 14 trios elétricos e apresentações musicais de artistas como Gloria Groove e Melody. Com o lema “Parada SP 30 anos: A rua convoca, a urna confirma”, a organização da manifestação estabelece uma conexão direta entre a presença nas vias públicas e a participação do público no processo eleitoral.
A manifestação ocorre na região central da capital paulista desde 1997, quando a primeira edição aconteceu na Praça Roosevelt. Para os organizadores, a data representa a reafirmação de um posicionamento social, baseando-se na premissa de que a garantia de direitos e a visibilidade dependem da ocupação contínua dos espaços públicos e políticos ao longo das últimas três décadas.
Projeto de lei ameaça presença de crianças na Parada SP
O planejamento do evento acontece durante a tramitação de um projeto de lei na Câmara Municipal de São Paulo, de autoria do vereador Rubinho Nunes (União Brasil). Aprovada em primeira votação, a proposta proíbe a participação de menores de idade em eventos que “façam alusão ou fomentem práticas LGBTQIA+”, mesmo acompanhados. O texto, que aguarda segunda votação e decisão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), exige locais fechados sob a justificativa de “proteger crianças e adolescentes de acessarem conteúdo impróprio”.
Durante uma coletiva de imprensa, o presidente da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, Nelson Matias Pereira, rebateu a proposta legislativa e declarou que “Vai ter criança sim na Parada”. Ativistas de direitos humanos classificam o projeto de lei nº 50/2025 como inconstitucional. Caso a medida entre em vigor, o texto prevê multas progressivas que variam de R$ 100 mil para eventos de pequeno porte até R$ 1 milhão para grandes mobilizações com mil pessoas ou mais.
Ações de inclusão e acessibilidade na Avenida Paulista
Além das questões políticas e legislativas, a organização estruturou medidas específicas para o acolhimento do público com deficiência durante o trajeto. A secretária de acessibilidade do evento, Suzana Gimenez, explicou que o planejamento deste ano foi desenvolvido considerando “todas as deficiências”. Durante a apresentação das diretrizes para a manifestação, a representante detalhou a implementação de um formato de “acessibilidade 360°” com o objetivo de tornar a infraestrutura mais inclusiva.



