Fim da escala 6×1: o motivo que fez o PL mudar de ideia e temer vitória de Lula
Presidente do partido defende compensações fiscais a empresas e alerta sobre impactos nas eleições presidenciais de 2026
O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, declarou que a sigla precisa apoiar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o fim da escala 6×1. Em entrevista à Jovem Pan News, o dirigente avaliou o cenário das eleições de 2026. Segundo ele, a oposição deve apresentar alternativas no Congresso para evitar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva capitalize politicamente o debate trabalhista.
Para o político, rejeitar uma pauta popular prejudica os planos da sigla. “Se não tiver jeito, nós vamos tentar de tudo, nós vamos ter que votar o 6×1, que a maioria do nosso partido quer”, disse. Ele demonstrou preocupação com o governo. “Se nós não aprovarmos a 6×1 o Lula ganha a eleição e o ano que vem ele vai fazer 4×1, vai afundar o país. Nós temos que chegar no poder, nós temos que voltar pro governo. E pra voltar pro governo, nós temos que votar propostas que tenham a maioria da população a favor, nós não podemos ser contra. Nós temos a maioria dos nossos deputados pensando dessa maneira”, prosseguiu.
Estratégia do PL sobre a escala 6×1 e Flávio Bolsonaro
O posicionamento marca uma alteração na tática da legenda, definida após reuniões com o senador Flávio Bolsonaro e o marqueteiro Duda Lima. Inicialmente, a orientação era promover obstrução total à matéria na Câmara. Para evitar desgaste, a cúpula decidiu modular o discurso. A agremiação aceita debater a redução da carga horária, desde que o texto inclua compensações aos empregadores, como a diminuição de impostos sobre a folha de pagamento.
O dirigente analisou os reflexos econômicos caso a alteração seja promulgada sem contrapartidas ao setor produtivo. Na visão do representante da oposição, uma redução ampla da jornada laboral carrega o risco de gerar aumento na inflação. Ele também apontou a possibilidade de demissões, justificando a exigência do partido por um texto que proteja a manutenção dos empregos e garanta o equilíbrio fiscal das empresas no país.
Tramitação da PEC e articulação do governo Lula
O andamento da proposta acelerou após o presidente da Câmara, Hugo Motta, enviar o documento à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Enquanto a oposição busca prolongar a tramitação, a base aliada ao Palácio do Planalto trabalha em um texto alternativo. A articulação governista foca em estabelecer consenso em torno de uma jornada intermediária, sugerindo o modelo de cinco dias de trabalho para dois de descanso, com limite de 40 horas semanais.



