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Elas se odiavam no convento, mas o destino transformou as ex-freiras em um casal

Francília Costa e Luiza Silvério superaram desafios de saúde para reconstruir a vida fora da igreja e hoje orientam católicos

As ex-freiras Francília Costa e Luiza Silvério compartilham uma história que começou com antipatia num convento e culminou em casamento. Luiza relata a impressão inicial sobre a colega: “Caramba, que freirinha metida, que freirinha nojenta!”. O sentimento era recíproco, recorda Francília: “Sabe quando você não vai com a cara da pessoa? Tipo, sem motivo algum?”. Logo a hostilidade virou amizade. “A gente entrou no convento com um propósito e esse propósito era servir a Deus”, explica Luiza.

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A permanência na instituição foi interrompida por questões de saúde. Luiza desenvolveu tensão emocional que evoluiu para um quadro emocional delicado, exigindo sua saída. Francília enfrentou desafios na pandemia. “A vida religiosa é uma vida muito linda, mas você precisa ter saúde física e mental. Não basta só saber rezar, não basta ter vocação. E naquele ponto em que eu estava vivendo, a minha saúde mental já tinha ido”, afirma Francília sobre a decisão de deixar o local.

como as ex-freiras Francília e Luiza iniciaram a vida a dois

A transição para a vida secular trouxe obstáculos. Luiza destaca as incertezas: “Você não sabe se vai conseguir fazer uma faculdade ou se vai conseguir arrumar um emprego, porque é difícil. Não é fácil a vida aqui fora”. Para reduzir custos, dividiram um apartamento. A dinâmica mudou após assistirem a um filme, quando Francília expressou seus sentimentos. A amizade evoluiu para o matrimônio, contando com total apoio familiar.

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As microempreendedoras esclarecem que o relacionamento não motivou a saída da congregação. “É o que a gente mais ouve: ‘Ah, entraram no convento pra fugir da sexualidade, depois saíram porque foram buscar outra coisa’. Mas na verdade não”, pontua Luiza. Ela reforça o compromisso da época: “Eu não queria me relacionar com ninguém. Eu queria realmente viver o celibato, seguir na religião, na Igreja”. Francília complementa: “Não dava tempo de pensar em nada além daquilo”.

o trabalho das ex-freiras com a comunidade católica nas redes

Hoje, o casal usa as redes sociais para dialogar sobre a integração entre fé e sexualidade. “Isso começou a fortalecer mesmo esse desejo de falar sobre a nossa história de uma forma aberta, sobre a nossa sexualidade, sobre a nossa fé que fez todo sentido e que hoje ajuda muitas pessoas”, relata Luiza. Integrantes da rede Diversidade Católica, elas mantêm a prática religiosa ativa. “Esse espaço fortalece ainda mais nossa caminhada de fé enquanto pessoas e casal”, diz Luiza.

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