Saúde & Bem-estar

Infecções vaginais representam 40% das consultas ao ginecologista no Brasil

Desequilíbrio da microbiota íntima gera quadros de vaginose bacteriana e candidíase; uso de probióticos surge como alternativa de prevenção

As infecções vaginais configuram a principal motivação para a busca por atendimento ginecológico no país. Levantamentos da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) indicam que quatro em cada dez consultas médicas da especialidade ocorrem devido a queixas relacionadas a esses quadros. Entre as condições mais registradas nos consultórios estão a vaginose bacteriana, a candidíase e a tricomoníase, que afetam a rotina das pacientes em idade reprodutiva por meio de sintomas como ardor, coceira, odores e desconfortos físicos.

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O surgimento dessas alterações está diretamente associado ao desequilíbrio da microbiota vaginal, um ecossistema de microrganismos que protege a região íntima. Fatores hormonais, administração de antibióticos e rotinas diárias impactam esse ambiente. A médica ginecologista e obstetra Marcela Mc Gowan explica que há desinformação sobre as causas do problema. “Um grande mito ainda muito disseminado é a associação da vaginose a uma vida sexual promíscua, o que é um erro. Muitas vezes, a condição está ligada ao excesso de higiene, quando feito de forma exagerada e prejudicial à vagina”, afirma a especialista.

Mercado de probióticos para infecções vaginais atrai farmacêuticas como a Libbs

A conduta terapêutica tradicional para esses diagnósticos baseia-se na prescrição de antibióticos e antifúngicos. Contudo, a alta taxa de recorrência dos episódios exige estratégias complementares para restabelecer a flora de proteção. Diante desse cenário, o setor farmacêutico projeta que o mercado global de probióticos femininos atinja a marca de US$ 3,4 bilhões até 2034. No Brasil, dados da IQVIA mostram um crescimento de 15% nesse segmento no último ano, impulsionando o desenvolvimento de suplementos orais focados na reposição de lactobacilos.

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Uma das formulações recentes no mercado nacional é o Zaila, resultado de uma parceria entre a Libbs Farmacêutica e a empresa dinamarquesa Novonesis. O produto utiliza as cepas Lacticaseibacillus rhamnosus GR-1 e Limosilactobacillus reuteri RC-14 para auxiliar na recomposição do ambiente íntimo. A ginecologista e obstetra Thalita Domenich, especialista da Libbs, detalha a função dessa suplementação. “Os probióticos podem atuar como aliados na manutenção do equilíbrio da microbiota vaginal, especialmente como complemento às terapias convencionais”, pontua a médica.

Estudos da Novonesis e Libbs sobre a microbiota vaginal

A formulação de produtos voltados para a saúde íntima requer validação clínica extensa antes da disponibilização comercial. A diretora de Inovação e Desenvolvimento de Negócios da Libbs, Anna Guembes, ressalta a complexidade desse processo produtivo. “O desenvolvimento de probióticos exige conhecimento altamente especializado — desde o cultivo de cepas específicas até a comprovação científica de eficácia foram mais de 40 estudos in vivo e in vitro—, o que torna estratégica a união entre empresas com expertises complementares”, declara. A utilização dessas tecnologias orais integra um protocolo preventivo, atuando em conjunto com o diagnóstico e o acompanhamento médico regular.

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