Fim da escala 6×1 aumenta produtividade e compensa custos trabalhistas, defende Isabela Raposeiras na Câmara
Entenda como a redução da jornada de trabalho afeta a rotatividade de funcionários e os custos operacionais do setor produtivo brasileiro
A empresária Isabela Raposeiras, fundadora do Coffeelab, declarou durante uma audiência na Câmara dos Deputados que o fim da escala 6×1 não causará a falência do setor produtivo no Brasil. Segundo a executiva, a diminuição dos dias trabalhados resulta em um acréscimo no faturamento das companhias. Durante o debate parlamentar, ela descartou a hipótese de que os gastos com recursos humanos cresceriam de maneira descontrolada ou gerariam impactos inflacionários, argumentando que o ganho de rendimento da equipe neutraliza eventuais despesas adicionais.
Para sustentar sua posição, a gestora, que adota o modelo de quatro dias de atividade para três de descanso há mais de duas décadas, utilizou sua própria vivência corporativa. “Se o custo de mão de obra aumentar, isso será inexpressivo perto da elevação da produtividade”, garantiu. Ela pontuou que a despesa atual com a troca constante de funcionários é superior ao que se projeta com a alteração da jornada. Ao mencionar que a taxa média de rotatividade no país atinge a marca de 56%, a especialista classificou os possíveis prejuízos da transição como irrelevantes.
Impacto do fim da escala 6×1 nos custos segundo Isabela Raposeiras
A executiva detalhou o peso financeiro do entra e sai de colaboradores, ressaltando que as corporações comprometem uma fatia considerável de suas folhas de pagamento com esse fenômeno. “O custo de um funcionário sendo demitido ou pedindo demissão pode chegar a quase o dobro do seu custo para as empresas”, explicou. De acordo com a análise apresentada no colegiado, a ausência de descanso adequado gera faltas frequentes e acidentes laborais, fatores que derrubam o desempenho geral das equipes e encarecem a operação diária dos negócios.
A saúde física e mental dos profissionais foi outro pilar das discussões no parlamento. “No momento em que a gente dá uma escala que permite ao trabalhador descansar, conseguimos contrapor os custos de eventuais contratações com a presença daqueles ausentes e de rotatividade”, afirmou a empresária. Representantes de entidades de classe corroboraram a visão, alertando que o modelo atual de seis dias de labuta contínua está diretamente ligado ao esgotamento. Especialistas do Conselho Federal de Psicologia apontaram que jornadas exaustivas provocam quadro emocional delicado, tensão emocional, problemas cardiovasculares e risco de falecer.
Debate na Câmara dos Deputados sobre a jornada de trabalho
As parcelas da sociedade que resistem à diminuição da carga horária receberam críticas de autoridades presentes na sessão. O procurador-geral do Ministério Público do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, argumentou que os indivíduos submetidos a esse regime tornam-se “reféns de medições estabelecidas pelo mercado e ditadas pelo interesse econômico”. O esgotamento crônico foi ilustrado por Eduardo Bolfim, do Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho, que descreveu a rotina de quem chega à folga sem vitalidade para o convívio familiar. “O trabalhador chega a seu único dia de folga sem energia, sem força para viver com a sua família e sem se recuperar totalmente, porque tem que automaticamente pensar no dia de amanhã. Isso não é cansaço, mas o adoecimento”, concluiu.



