O elo financeiro que pode arrastar Tarcísio de Freitas para o centro do caso Master
Oposição aponta suposta relação entre recursos de campanha e as vendas da Sabesp e EMAE no estado de São Paulo.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, recebeu um repasse financeiro de R$ 2 milhões durante a campanha eleitoral de 2022, valor originário de Fabiano Zettel. O doador é cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro e figura entre os investigados no escândalo envolvendo o Banco Master. No mesmo período eleitoral, o operador financeiro também destinou R$ 3 milhões para a chapa presidencial de Jair Bolsonaro. A proximidade financeira entre a gestão estadual e o entorno do empresário motivou questionamentos por parte de parlamentares da oposição.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) argumenta que a origem dos recursos eleitorais pode indicar irregularidades na atual administração paulista. Em manifestação pública, o parlamentar declarou: “Tarcísio de Freitas. Esse é o próximo nome que vai aparecer nesse escândalo do Master e do Vorcaro”. O político fluminense também relacionou o episódio às recentes vendas de estatais paulistas, afirmando que “Vai aparecer privatização da Sabesp e da EMAE. Espere cenas para o próximo capítulo”.
Investigação sobre Tarcísio de Freitas e as privatizações em São Paulo
As suspeitas resultaram em uma denúncia formalizada pelo deputado Antônio Donato (PT-SP) na Promotoria de Justiça do Patrimônio Público. O documento sugere uma suposta troca de favores nas desestatizações da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE) e da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). O leilão da EMAE, ocorrido em abril de 2024, foi vencido pelo Fundo Phoenix, cuja aquisição contou com debêntures estruturadas com o suporte do Banco Master.
Após a concretização do negócio envolvendo a EMAE, a presidência da companhia passou a ser ocupada por Karla Maciel Dolabella, executiva que atuava no setor de fusões e aquisições da instituição financeira de Daniel Vorcaro. A gestora deixou o comando da estatal privatizada em dezembro de 2025, período que coincidiu com o avanço das apurações policiais sobre o caso. A rede de influências apontada pelos parlamentares também se estende ao processo de venda do controle acionário da Sabesp.
Conexões do caso Master com a venda da Sabesp e Equatorial
A desestatização da Sabesp foi finalizada em julho de 2024, quando a empresa foi comprada pela Equatorial. O conselho administrativo da compradora era presidido por Carlos Piani, executivo que também liderava a Ambipar. As ações desta última empresa serviram de lastro para o fundo responsável por arrematar a EMAE meses antes. Dando continuidade à reestruturação corporativa após o leilão, Piani assumiu a presidência da companhia de saneamento básico paulista em outubro de 2024.



