Política

Tensão no Irã: Narges Mohammadi volta para casa após risco de vida

A vencedora do Nobel da Paz obteve liberação médica após exames apontarem danos neurológicos e vasculares durante o cumprimento de sua pena.

A ativista Narges Mohammadi, laureada com o Nobel da Paz, obteve liberação para retornar à sua residência após internação. A informação foi divulgada nesta segunda-feira por sua fundação. Aos 53 anos, ela recebia cuidados clínicos autorizados pelo governo do Irã para tratar complicações cardíacas do encarceramento. A saída foi recomendada por uma junta médica, que atestou que, “devido às suas múltiplas doenças, ela precisa continuar o tratamento fora da prisão e sob a supervisão de sua própria equipe médica”.

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O quadro exigiu avaliação angiográfica de urgência, identificando “deterioração” vascular e lesões cerebrais. O instituto explicou que “Os achados dessa avaliação angiográfica (…) indicam deterioração significativa e progressão da doença vascular. (…) Sua equipe médica anunciou hoje que uma parte do sistema nervoso central no cérebro, responsável pelo controle autônomo e pela regulação precisa da pressão arterial, sofreu comprometimento funcional”. Na prisão, ela sofreu infarto.

Estado de saúde de Narges Mohammadi e apelos globais

Devido às oscilações de pressão da paciente, entidades pressionaram o Irã. O comitê do prêmio pediu transferência para especialistas, alertando que, “sem esse tratamento, sua vida continua em risco”. A fundação familiar declarou: “Devemos garantir que ela nunca retorne à prisão para cumprir os 18 anos restantes de sua sentença. Agora é a hora de exigir sua liberdade incondicional e a retirada de todas as acusações”.

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A trajetória da iraniana foca nos direitos femininos e na oposição à pena capital. Cumprindo sentença desde 2022, foi reconhecida globalmente. A presidente do comitê, Berit Reiss-Andersen, disse que “Narges é uma defensora dos direitos humanos e uma pessoa que luta pela liberdade. Nós queremos apoiar sua luta corajosa e reconhecer milhares de pessoas que se manifestaram contra o regime teocrático de repressão e discriminação que tem como alvo as mulheres no Irã”.

A ligação da ativista com os protestos no Irã

Sua atuação cresceu nas manifestações iniciadas após o falecimento de Mahsa Amini. Em 2022, a jovem foi detida pela polícia da moralidade por “uso incorreto” do véu. Após ser internada com lesões sob custódia, a mulher faleceu no hospital. O episódio gerou mobilização histórica no país, consolidando a laureada como símbolo da reivindicação por liberdades civis.

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