PL avalia retirar Eduardo Bolsonaro de chapa ao Senado após pedido de condenação no STF
Partido teme que eventual condenação na Corte enquadre o ex-deputado na Lei da Ficha Limpa antes do pleito.
A permanência de Eduardo Bolsonaro como primeiro suplente na chapa de André do Prado ao Senado tornou-se um ponto de alerta para o Partido Liberal em São Paulo. A cúpula da legenda iniciou discussões sobre a possibilidade de retirar o ex-deputado da composição eleitoral devido ao avanço de uma ação penal no Supremo Tribunal Federal. O receio dos dirigentes partidários é que uma eventual condenação resulte na inelegibilidade do político, comprometendo a segurança jurídica de toda a chapa a poucos meses do primeiro turno das eleições de 2026.
O cenário de incerteza ganhou força após a Procuradoria-Geral da República solicitar formalmente a condenação do ex-parlamentar. O pedido, assinado pelo procurador-geral Paulo Gonet, acusa o político de coação no curso do processo, crime previsto no Código Penal. Caso a Primeira Turma da Corte acate a denúncia e prolate uma sentença condenatória, o enquadramento na Lei da Ficha Limpa seria imediato. Essa legislação estabelece a inelegibilidade por oito anos para indivíduos condenados por órgãos judiciais colegiados, o que daria margem para adversários solicitarem a impugnação do registro da candidatura.
Impacto do STF na candidatura de Eduardo Bolsonaro pelo PL
A indicação para a suplência de André do Prado, atual presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, foi resultado de uma articulação política complexa. A manobra contou com o aval do governador paulista, Tarcísio de Freitas, e do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto. A estratégia visava manter o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ativo no cenário político nacional, mesmo residindo nos Estados Unidos desde 2025. No entanto, a escolha já havia gerado atritos internos com outros aliados que almejavam o espaço na chapa majoritária.
O calendário estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral impõe um prazo rigoroso para a resolução do impasse. A legislação determina que o dia 14 de setembro é a data limite para pedidos de substituição de candidaturas. Diante desse limite temporal, a direção partidária precisa tomar uma decisão estratégica: manter a composição atual e assumir o risco de enfrentar batalhas judiciais que podem invalidar os votos, ou realizar a troca preventiva do suplente, o que inevitavelmente causaria desgastes com a ala mais extremada do bolsonarismo.
Defesa do ex-deputado e os próximos passos no Supremo Tribunal Federal
No âmbito jurídico, o processo segue seu trâmite legal antes do julgamento definitivo. Como não constituiu advogado particular, o ex-parlamentar passou a ser representado pela Defensoria Pública da União. A tese defensiva baseia-se no argumento de que as declarações que motivaram a denúncia estariam resguardadas pela imunidade parlamentar e pelo direito à liberdade de expressão. Paralelamente a essa questão criminal, o político já lida com o revés da perda de seu mandato na Câmara dos Deputados, declarada no final de 2025 devido ao excesso de faltas nas sessões deliberativas.



