Política

Eduardo Bolsonaro admite lobby nos EUA após PGR pedir sua condenação

Ex-deputado é acusado de tentar intimidar ministros do Supremo Tribunal Federal para barrar julgamento; defesa tem 15 dias para manifestação

A Procuradoria-Geral da República solicitou ao Supremo Tribunal Federal a condenação de Eduardo Bolsonaro. O requerimento, assinado por Paulo Gonet, acusa o ex-parlamentar da prática de coação no curso do processo. A denúncia aponta a estruturação de uma articulação nos Estados Unidos para aplicar sanções contra magistrados da Corte. O objetivo central dessa movimentação seria criar um cenário de intimidação para interferir no andamento das ações judiciais envolvendo o ex-presidente da República.

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O enquadramento jurídico proposto pela procuradoria baseia-se no artigo 344 do Código Penal. Segundo o documento apresentado por Gonet, as ações promovidas no exterior envolveram pressões de natureza política e econômica, incluindo propostas de bloqueio de vistos de autoridades brasileiras. Além da sanção penal, o Ministério Público requer a estipulação de um montante financeiro para reparar os eventuais danos causados ao Estado em decorrência da campanha internacional.

Reação de Eduardo Bolsonaro às acusações da PGR

Após tomar conhecimento do requerimento por meio da imprensa, o político realizou uma transmissão em vídeo para apresentar sua versão. Ele confirmou a existência das articulações em território norte-americano, mas rechaçou a intenção de obstruir a Justiça. “O PGR Gonet pediu a minha condenação por coação, dizendo que as sanções individuais que a gente trabalhou aqui para o Moraes ser sancionado, que isso foi um ataque ao Brasil e eu queria interferir no processo do meu pai. Sendo que eu nunca falei que fazia isso, eu tenho certeza que o meu pai seria condenado de um jeito ou de outro”, afirmou.

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O pronunciamento também evidenciou divergências entre figuras do espectro conservador. O ex-deputado direcionou críticas a Ricardo Salles, relacionando-o à escolha do atual procurador-geral. “E eu falei PGR Gonet por quê? Porque o Salles falava que ao invés do [Augusto] Aras, o Salles queria o Gonet, que está perseguindo todo mundo de direita”, declarou. Na mesma ocasião, houve cobranças para que parlamentares aliados assumam posturas mais ativas na defesa de suas pautas no período que antecede os pleitos eleitorais.

Próximos passos do processo do ex-deputado no STF

Atualmente sem mandato e com o passaporte diplomático cancelado, o investigado é representado pela Defensoria Pública da União, que argumenta que as falas estariam protegidas pelas prerrogativas de imunidade parlamentar. A partir da entrega das alegações finais pela procuradoria, a defesa possui um prazo legal de quinze dias para protocolar seus argumentos conclusivos. Após essa etapa, o ministro Alexandre de Moraes encaminhará a ação penal para análise da Primeira Turma do tribunal, que decidirá sobre a procedência do pedido de condenação.

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