Daniel Vorcaro planejou gastar R$ 8 milhões com influenciadores para atacar Banco Central
Dono do Banco Master é investigado por contratar agência para promover críticas à instituição financeira e aprovar emendas no Congresso Nacional
O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, elaborou um plano de R$ 8 milhões destinado a influenciadores digitais para criticar o Banco Central e o ex-diretor Renato Gomes. A Polícia Federal identificou que a agência Mithi foi a responsável por estruturar o chamado “Projeto DV”. Entre os meses de dezembro e janeiro, o esquema financeiro chegou a distribuir R$ 3,5 milhões antes de ser paralisado pelo avanço das investigações policiais sobre as atividades da instituição bancária.
O jornalista Luiz Bacci teria recebido R$ 500 mil para realizar postagens. Em seu perfil, o apresentador publicou que “Renato Gomes deixa o BC e expõe um regulador sem critério claro e perguntas sem respostas”. A equipe do comunicador confirmou a parceria com a agência, mas declarou que por “nossas diretrizes de compliance e sigilo, não divulgamos informações sobre contratos firmados com nossos clientes”. O site GPS Brasília também foi contratado com a orientação de adotar um “tom liberal clássico, em defesa da livre iniciativa, institucional”.
Investigação sobre Daniel Vorcaro e Hugo Motta
As autoridades policiais constataram que o banqueiro também exercia influência direta na tramitação de propostas no Congresso Nacional. O deputado Hugo Motta apresentou uma alteração no projeto de regulamentação do mercado de carbono que beneficiaria empresas ligadas à estrutura do Banco Master, criando o que especialistas do setor chamaram de “mercado cativo”. O parlamentar negou qualquer irregularidade, justificando que o texto resultou de um “acordo partidário” e ressaltando que “o ato de legislar não é crime”.
No Senado Federal, o foco da apuração recai sobre a “Emenda Master”, protocolada por Ciro Nogueira com o objetivo de aumentar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito. Documentos indicam que o texto foi redigido pela equipe do próprio banco e copiado integralmente pelo parlamentar. Mensagens interceptadas mostram o empresário celebrando o protocolo da proposta com a frase: “Saiu exatamente como mandei”. A polícia relatou ainda que rascunhos de projetos eram retirados na residência do senador para revisão prévia.
Supostos repasses de Daniel Vorcaro a Ciro Nogueira
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, apontou em decisão judicial que o senador piauiense seria o “destinatário central” de vantagens indevidas no esquema investigado. Os relatórios policiais indicam que os repasses mensais variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil. A contrapartida financeira também incluiria o custeio de viagens internacionais, voos particulares, hospedagens de luxo e uso de imóvel de alto padrão, além da suspeita de entregas de valores em espécie para garantir o andamento das pautas do grupo financeiro.



