Preço do livro no Brasil reflete baixo poder de compra da população, aponta pesquisa
Estudo da agência Proyecto 451 compara o mercado editorial latino-americano e europeu para entender o impacto financeiro da leitura
Um levantamento realizado pela agência Proyecto 451 analisou o preço do livro no Brasil em relação à remuneração da população. A pesquisa indica que a dificuldade de acesso a obras literárias não está ligada exclusivamente ao custo do produto, mas ao baixo poder de compra do trabalhador. O estudo comparou o mercado editorial da América Latina e da Europa para medir o impacto financeiro da leitura.
A agência cruzou o valor médio dos exemplares impressos com o salário médio líquido dos profissionais. No contexto nacional, considerando uma renda de R$ 3.400 e um custo de capa de R$ 70, um indivíduo conseguiria adquirir cerca de 49 unidades por mês. Esse índice coloca o país entre os piores da apuração, à frente apenas do Peru, com 35 unidades a cada salário, e do México, com 29 unidades.
Preço do livro no Brasil versus mercado editorial na Europa
O cenário apresenta contrastes quando comparado a outras nações. Na América Latina, a Argentina exibe a situação mais favorável, permitindo a compra de 60 exemplares por salário. Já os países europeus demonstram uma capacidade de consumo superior. O Reino Unido lidera com 252 unidades, seguido pela França, com 215, e pela Alemanha, com 159. Os números evidenciam como a aquisição compromete a renda.
Ao converter os valores médios de capa para o dólar, a análise revela que o produto brasileiro custa menos do que em grande parte dos países avaliados. A obra nacional aparece como a quinta mais barata, atrás da Colômbia, Reino Unido, França e México. Contudo, o levantamento considera apenas o trabalho formal. Em locais com alta informalidade, o peso financeiro para consumir literatura é ainda maior.
Impacto do salário mínimo do Dieese no valor dos livros
Para contextualizar a questão da renda, dados do Dieese apontam que o salário mínimo ideal em março seria de R$ 7.425,99 para suprir as necessidades de uma família de quatro pessoas. Atualmente, o piso salarial vigente é de R$ 1.621. Essa diferença reforça a conclusão da pesquisa de que a variável determinante para a acessibilidade no mercado editorial é a remuneração do consumidor, e não o custo da publicação.



