Lula critica Trump por ameaças a outros países e cobra respeito à soberania
Em conversa com jornal espanhol, o presidente brasileiro avaliou a postura americana, a crise na Venezuela e o cenário político nacional
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu uma entrevista ao jornal espanhol El País, divulgada nesta quinta-feira, na qual abordou a política externa dos Estados Unidos. Durante a conversa, Lula critica Trump de forma direta, afirmando que o líder norte-americano “não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país”. A declaração ocorre pouco antes do embarque do chefe do Executivo brasileiro para Barcelona, onde tem agenda prevista com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, e participação no Fórum Democracia Sempre.
Ao analisar o comportamento do republicano no cenário global, o petista argumentou que a atual gestão em Washington adota uma estratégia equivocada. Segundo o presidente brasileiro, a postura dos Estados Unidos se baseia na premissa de que “a força econômica, militar e tecnológica americana determina as regras do jogo”. Ele relatou ter conversado com o mandatário estrangeiro sobre a imposição de tarifas comerciais ao Brasil, ocasião em que sugeriu que “Dois países governados por dois senhores de 80 anos deveriam conversar com maturidade”.
Lula critica Trump e avalia impactos de ações dos Estados Unidos
O desarmamento e a ineficácia das organizações internacionais também foram temas da entrevista. O presidente mencionou ter procurado líderes como Xi Jinping, Vladimir Putin e Emmanuel Macron para debater a segurança global, ressaltando que eventuais ataques a nações como o Irã teriam consequências severas e que a própria população é “quem pagaria” o preço. Nesse contexto, ele expressou preocupação com a escalada de tensões militares, alertando que “Pelo amor de Deus, uma terceira guerra mundial seria uma tragédia dez vezes mais potente que a segunda”.
Questionado sobre a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, o líder brasileiro defendeu a soberania dos países latino-americanos e a busca por soluções diplomáticas. Ele indicou que a resolução da crise no país vizinho deve passar por um processo eleitoral acordado com a oposição, garantindo que os resultados sejam respeitados para restaurar a estabilidade. O chefe de Estado reiterou que prefere atuar como um líder respeitado em vez de temido, priorizando o diálogo em mesas de negociação em detrimento do uso da força.
Lula compara cenário do Brasil com a política de Donald Trump
Em relação ao cenário interno e aos temores de instabilidade institucional na América Latina, o presidente demonstrou confiança no sistema brasileiro. Ele argumentou que as instituições nacionais estão consolidadas, citando como evidência o fato de o país ter “um ex-presidente preso e quatro generais de quatro estrelas encarcerados”. Para o mandatário, essa responsabilização legal demonstra que “aqui a democracia funciona [e é] um exemplo para os Estados Unidos”, reforçando sua posição de que o embate político deve ocorrer exclusivamente no campo das ideias e dos argumentos.



