Fim da escala 6×1 é tema de reunião entre Lula e Hugo Motta no Planalto
Governo busca enviar projeto de lei com urgência para dividir o protagonismo com a proposta de emenda à Constituição que já tramita na Câmara.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, reúnem-se nesta terça-feira no Palácio do Planalto para discutir o fim da escala 6×1. O encontro, realizado durante um almoço, tem como objetivo principal alinhar a estratégia de envio de um projeto de lei do Executivo sobre a redução da jornada de trabalho. A movimentação ocorre após divergências públicas recentes entre o governo federal e o Congresso Nacional a respeito do formato e da autoria da proposta, exigindo uma sincronização entre os poderes para tratar de uma pauta com grande apelo popular.
A estratégia do governo federal consiste em encaminhar um texto próprio com pedido de urgência constitucional, o que forçaria os parlamentares a analisarem a matéria dentro de um prazo estipulado. Auxiliares do Palácio do Planalto avaliam que essa tática permite ao Executivo dividir o protagonismo político com a Câmara, evitando que o debate fique restrito apenas às iniciativas já existentes no Legislativo. A proposta em fase de elaboração sugere a diminuição das horas trabalhadas sem a redução dos salários, baseando-se na premissa de que o aumento da produtividade compensaria a mudança.
Tramitação do fim da escala 6×1 na Câmara e o papel de Hugo Motta
No âmbito legislativo, a percepção é de que já existem instrumentos avançados para debater a alteração na jornada. Atualmente, a Comissão de Constituição e Justiça analisa uma proposta de emenda à Constituição que estabelece modelos alternativos, como a semana de cinco dias de trabalho e dois de descanso. Diante desse cenário, o deputado Hugo Motta indicou que a chegada de um novo documento do Executivo não deve paralisar o andamento da matéria que já tramita entre os parlamentares, o que gera o risco de sobreposição de pautas e exige a coordenação política que motivou a reunião.
A revisão do modelo atual, que exige seis dias de atividade para um de descanso, mobiliza diferentes frentes políticas, especialmente pela proximidade do ano eleitoral. Apesar do forte apoio social à medida, as alterações enfrentam resistência significativa de representantes do setor produtivo, como o comércio e os serviços. Empresários e associações patronais argumentam que a mudança pode resultar na elevação dos custos operacionais e gerar impactos negativos na produtividade das empresas, fatores que adicionam complexidade às negociações entre os poderes.
Articulação de Lula para aprovar a nova jornada de trabalho
O esforço para organizar o rito de tramitação e evitar conflitos diretos reflete uma tentativa mais ampla do governo de recompor sua base de diálogo no Congresso Nacional. A expectativa é que o encontro resulte em uma estratégia combinada, podendo envolver a divisão de etapas de votação ou até mesmo a convergência dos textos apresentados. Paralelamente, o Planalto também busca distensionar relações com o Senado, recebendo o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, em agendas oficiais, sinalizando um movimento focado em garantir a estabilidade necessária para o avanço de projetos prioritários.



