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Famosa apresentadora revela que ex-marido usava inteligência artificial para criar vídeos íntimos falsos

Collien Fernandes aponta o ator Christian Ulmen como autor de manipulações digitais, gerando protestos e pressão por novas leis criminais no país.

A apresentadora de televisão alemã Collien Fernandes denunciou publicamente seu ex-marido, o ator Christian Ulmen, como o suposto autor de montagens de conteúdo adulto utilizando sua imagem e voz por meio de inteligência artificial. A revelação foi feita em entrevista à revista Der Spiegel, onde a comunicadora detalhou que as manipulações digitais, conhecidas como deepfakes, eram utilizadas para simular situações íntimas e interações com terceiros. O caso, que ganhou repercussão internacional, motivou uma série de manifestações em cidades como Berlim e Hamburgo, onde Fernandes compareceu sob proteção policial devido a ameaças recebidas após a denúncia. O ator Christian Ulmen, por meio de sua defesa jurídica, nega as acusações e classifica a reportagem como ilegal.

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O relato de Fernandes indica que a prática ocorria há anos, mas a sofisticação das ferramentas de inteligência artificial generativa agravou a situação recentemente. Segundo a apresentadora, o ex-marido teria criado contas falsas em redes sociais para interagir com cerca de 30 homens fingindo ser ela, além de utilizar tecnologias de áudio para simular sua voz em conversas telefônicas de cunho sexual. Em suas redes sociais, a vítima destacou a necessidade de expor tais atos, afirmando que “é preciso coragem para falar, e anunciar que o querido tio/avô/pai – talvez não seja apenas o querido tio/avô/pai legal!”. A denúncia também foi formalizada na Espanha, país onde o casal residiu, sob a justificativa de que a legislação local oferece maior proteção aos direitos da mulher.

Impacto na legislação alemã e proteção contra violência digital

Diante da mobilização popular e de um manifesto assinado por mais de 250 mulheres influentes, o governo da Alemanha anunciou a intenção de endurecer as leis contra crimes digitais. O projeto em discussão no parlamento prevê penas de até dois anos de detenção para quem produzir ou distribuir deepfakes de caráter sexual sem consentimento. A ministra da Justiça e Proteção ao Consumidor, Stefanie Hubig, afirmou que o objetivo é fechar brechas legais que permitem a impunidade em casos de violência virtual. A proposta também visa proibir plataformas e aplicativos que utilizam IA para remover roupas de pessoas em fotografias reais, garantindo que os agressores sejam identificados e processados de forma eficaz.

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A trajetória do casal, que se conheceu em 2010 e anunciou a separação em 2025, era acompanhada de perto pela mídia alemã. Fernandes relatou que tomou conhecimento da autoria das montagens no final de 2024, quando Ulmen teria confessado a prática após ler uma queixa-crime que ela havia registrado anteriormente sem apontar suspeitos. A apresentadora ressaltou que, até pouco tempo atrás, era possível identificar que os conteúdos eram falsos, mas que o avanço tecnológico eliminou essa percepção. “Até dois ou três anos atrás, sempre ficava claro que essas fotos e vídeos não eram reais. Isso mudou”, declarou Fernandes ao explicar a gravidade da manipulação atual.

Medidas governamentais contra o uso indevido de inteligência artificial

O cenário de pressão política atingiu o alto escalão do governo, forçando o chanceler e ministros a acelerarem a pauta de segurança digital. Além da criminalização específica para deepfakes, as autoridades planejam monitorar de forma mais rigorosa as redes sociais e plataformas que hospedam materiais de abuso, mesmo aqueles que não utilizam inteligência artificial. A intenção é criar um ambiente jurídico onde a produção de conteúdo íntimo não autorizado seja tratada com o mesmo rigor que crimes físicos. Enquanto o processo legislativo avança, o caso permanece sob investigação judicial, aguardando o desdobramento das provas apresentadas pela apresentadora e a contestação formal da defesa de Ulmen.

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