Comitê Olímpico Internacional restringe atletas trans às categorias masculinas a partir de 2028
A nova política inclui a obrigatoriedade de testes genéticos para competidoras da categoria feminina visando a proteção da equidade esportiva.
O Comitê Olímpico Internacional (COI) oficializou uma mudança estrutural em suas normas de elegibilidade para as próximas edições das Olimpíadas. A partir dos Jogos de Los Angeles, em 2028, atletas transgênero serão autorizados a competir exclusivamente nas categorias masculinas. A decisão marca uma alteração significativa no posicionamento da entidade máxima do esporte mundial, que fundamentou a medida na necessidade de preservar a competitividade e a segurança dentro das modalidades femininas. De acordo com o comunicado oficial, a nova diretriz entrará em vigor imediatamente após o ciclo atual, impactando o planejamento de federações esportivas ao redor do globo.
Além da restrição de categoria, o COI implementará a obrigatoriedade de exames genéticos para as competidoras que integram as divisões femininas. O objetivo é identificar a presença do gene SRY, vinculado ao cromossomo Y, assegurando que não haja prevalência genética masculina entre as participantes. Este tipo de testagem, que havia sido descontinuado pela organização em 1996, retorna agora como um requisito obrigatório a ser realizado uma única vez durante a trajetória profissional de cada atleta. A entidade justifica que o sexo biológico masculino proporciona vantagens físicas em termos de força, potência e resistência que poderiam comprometer o equilíbrio das disputas.
Critérios científicos e segurança nas competições de alto rendimento
A presidente do COI, Kirsty Coventry, defendeu a nova política ao afirmar que a ciência serviu como base para a formulação das restrições. Segundo a dirigente, a integridade das competições depende da manutenção de categorias justas para as mulheres biológicas. Em pronunciamento oficial, Coventry destacou que “nos Jogos Olímpicos, mesmo as menores margens podem ser a diferença entre vitória e derrota. Então, é absolutamente claro que não seria justo que os machos biológicos competessem na categoria feminina. Além disso, em alguns esportes simplesmente não seria seguro”. A fala reforça a visão de que a biologia masculina oferece benefícios de desempenho que não podem ser ignorados no alto rendimento.
O cenário político internacional também apresenta convergências com a decisão do comitê. Nos Estados Unidos, país sede da próxima edição olímpica, o governo federal sob a gestão de Donald Trump tem adotado medidas restritivas semelhantes no âmbito esportivo nacional. Em 2025, a Casa Branca emitiu uma ação executiva proibindo a presença de mulheres trans em esportes femininos. Na ocasião, o presidente norte-americano classificou a participação de atletas transgênero como “degradante, injusta e perigosa para mulheres e meninas, e lhes nega a igualdade de oportunidades para participar e se destacar em esportes competitivos”.
Impacto da legislação dos Estados Unidos e autonomia do comitê
Apesar da coincidência entre as normas do COI e as políticas governamentais dos Estados Unidos, a liderança do comitê internacional nega qualquer tipo de interferência externa na tomada de decisão. Kirsty Coventry assegurou que a autonomia da entidade foi preservada e que o alinhamento com as leis do país anfitrião não foi o fator determinante para a mudança. A organização reitera que o foco permanece na proteção das atletas e na garantia de que o pódio seja alcançado por meio de condições biológicas equivalentes entre as competidoras.
A nova regulamentação deve gerar debates entre organizações de direitos humanos e federações esportivas nos próximos anos. Enquanto defensores da medida apontam para a necessidade de justiça desportiva, críticos avaliam o impacto da exclusão de atletas trans das categorias com as quais se identificam. O COI, por sua vez, mantém a posição de que a categoria masculina permanece aberta para todos os atletas, independentemente da identidade de gênero, enquanto a feminina será estritamente reservada com base nos novos critérios genéticos e biológicos estabelecidos para o ciclo de 2028.



