Política

Decisão na Itália: Carla Zambelli tem extradição aprovada e mãe divulga carta da ex-deputada

A ex-parlamentar enfrenta condenações por invasão de sistemas e porte ilegal de arma; decisão final depende do Ministério da Justiça italiano

A Justiça da Itália proferiu decisão favorável ao pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli, apresentado pelo governo brasileiro. A ex-parlamentar, que possui cidadania italiana e permanece detida no país europeu, enfrenta condenações no Brasil relacionadas à invasão de sistemas eletrônicos e porte ilegal de arma de fogo. Apesar do aval do Judiciário local, a medida ainda necessita de uma ratificação oficial por parte do Ministério da Justiça da Itália para ser efetivada. Em manifestação pública, a mãe da ex-deputada, Rita Zambelli, classificou o cenário como um “pesadelo” e afirmou que a família mantinha esperanças de que a filha fosse liberada do que considera uma perseguição.

Publicidade

A defesa de Zambelli já iniciou os procedimentos para contestar a decisão perante a Corte de Cassação, instituição que possui atribuições equivalentes às do Supremo Tribunal Federal no sistema jurídico italiano. Os advogados dispõem de um prazo de 15 dias para protocolar o recurso. Rita Zambelli utilizou as redes sociais para divulgar uma carta escrita pela filha no dia 20 de março, na qual a ex-parlamentar menciona orações pela família do ex-presidente Jair Bolsonaro e expressa o desejo de que sejam quebradas “correntes que hoje prendem a liberdade do Brasil”. A mãe reforçou que atuará como porta-voz da filha enquanto ela estiver impossibilitada de se comunicar livremente.

Argumentos da defesa e posicionamento da corte italiana

Os advogados da ex-deputada sustentam a tese de que o processo brasileiro possui natureza política e fins persecutórios. Entretanto, a Corte da Itália rejeitou tais alegações, pontuando que os crimes imputados são delitos comuns e que o rito processual no Brasil seguiu as normas constitucionais vigentes, sem a existência de tribunais de exceção. Entre os pontos questionados pela defesa e descartados pelos magistrados italianos estavam a suposta parcialidade do relator no Brasil, a validade do foro no Supremo Tribunal Federal e as condições estruturais da penitenciária feminina do Distrito Federal, local onde Zambelli deverá cumprir pena caso retorne ao território brasileiro.

Publicidade

A questão da cidadania italiana de Carla Zambelli também foi um ponto central do debate jurídico. A Corte considerou o vínculo da ex-deputada com o país europeu como “meramente formal”, argumentando a ausência de laços sociais ou culturais profundos que justificassem a permanência na Itália para evitar a extradição. Paralelamente ao recurso judicial, a banca de advogados aguarda um posicionamento de Carlo Nordio, ministro da Justiça italiano. A defesa acredita que, por se tratar de uma decisão que envolve relações diplomáticas, o desfecho pode ter componentes políticos, cabendo ao ministro a palavra final sobre a entrega da cidadã ao Estado brasileiro.

Próximos passos do processo de extradição

O caso segue agora para uma fase de análise técnica e política simultânea. Enquanto o recurso na Corte de Cassação busca reverter o entendimento jurídico sobre a legalidade do pedido, a pressão de aliados políticos e familiares foca na sensibilização das autoridades executivas italianas. Rita Zambelli reiterou que, embora reconheça que a filha não retornará de imediato, confia nos desdobramentos futuros do caso. A ex-parlamentar foi condenada em duas instâncias distintas no Brasil, e o desfecho deste processo de extradição é considerado um marco importante para o cumprimento das sentenças impostas pelo Poder Judiciário brasileiro em solo estrangeiro.

Publicidade

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo