Maestro João Carlos Martins utiliza inteligência artificial em concerto da Bachiana Filarmônica na Fiesp
Evento gratuito no Centro Cultural Fiesp busca demonstrar a diferença entre a precisão tecnológica e a emoção humana na música clássica.
O maestro João Carlos Martins, aos 85 anos, protagoniza uma iniciativa inédita na música erudita brasileira ao compartilhar o palco com a tecnologia. No próximo domingo, dia 29 de março, o regente dividirá a condução da Orquestra Bachiana Filarmônica Sesi-SP com um robô. O evento será realizado no Centro Cultural da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), situado na Avenida Paulista, com acesso livre e gratuito para o público interessado. A proposta central do encontro é estabelecer um diálogo visual e sonoro entre a automação e a sensibilidade artística em um dos pontos mais movimentados da capital paulista.
A dinâmica da apresentação foi planejada para oferecer um comparativo direto entre as duas formas de regência. Inicialmente, o robô assumirá o comando dos músicos para executar uma peça específica. Logo após, João Carlos Martins assumirá o posto para conduzir a mesma composição. Segundo o maestro, o objetivo é evidenciar que “a inteligência artificial pode lutar a vida inteira, mas a alma e o coração nunca vão chegar ao público através dela”. A estratégia busca atrair a atenção de novos públicos para o gênero clássico, utilizando o contraste tecnológico como um atrativo pedagógico e cultural.
Inovação e democratização da música clássica
Para o regente, a presença da máquina no palco não substitui o papel do artista, mas serve como uma ferramenta de inovação para manter o interesse da sociedade pela música de concerto. Martins defende que a manutenção da relevância cultural depende do equilíbrio entre o respeito ao passado e a abertura para novas possibilidades técnicas. Ele afirma que “se você pergunta do que a vida é feita, a vida é feita de tradição e inovação”. O projeto reforça sua trajetória de décadas dedicada à democratização do acesso à cultura, tentando aproximar a orquestra de pessoas que habitualmente não frequentam salas de concerto tradicionais.
O espetáculo está marcado para iniciar às 14h e não exige a retirada prévia de ingressos, seguindo o modelo de apresentações abertas que o maestro costuma promover. Ao colocar a inteligência artificial para reger a Bachiana Filarmônica, o maestro pretende que os espectadores identifiquem as nuances interpretativas que apenas um ser humano consegue imprimir à partitura. “Eu vou mostrar qual a diferença do ser humano regendo a mesma peça e um robô regendo. Domingo, às 14h, o robô estará lá em plena Avenida Paulista regendo a Bachiana, depois eu vou reger a mesma peça. Aí o público vai perceber o que significa a palavra emoção”, explicou o músico.
Impacto da inteligência artificial nas artes
A iniciativa ocorre em um momento de ampla discussão sobre o papel da inteligência artificial em diversas esferas da sociedade, incluindo o campo das artes e da criatividade. Ao integrar um robô ao corpo da orquestra, o Centro Cultural Fiesp e o maestro propõem uma reflexão sobre os limites da técnica. João Carlos Martins reitera que a inovação consiste em criar fatos novos para despertar a curiosidade de quem ainda não teve contato com a música clássica. O encerramento do evento deve consolidar essa experiência de integração tecnológica, mantendo o foco na valorização da performance humana como elemento insubstituível na transmissão de sentimentos ao público.



