Economia & Negócios

Defasagem do diesel atinge 85% no Brasil com escalada do petróleo no exterior

Importadores suspendem compras após barril ultrapassar cem dólares e setor aguarda posicionamento da Petrobras sobre reajuste nas refinarias

A tensão no Oriente Médio impulsionou o barril de petróleo para mais de cem dólares, paralisando o mercado de diesel importado no Brasil. Importadores interromperam aquisições pelo receio de que a Petrobras não acompanhe a alta internacional. Como o produto estrangeiro representa trinta por cento do consumo interno, a inviabilidade comercial acende um alerta de desabastecimento.

O presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sergio Araújo, informou que as reservas garantem o fornecimento por quinze dias. “Desde o início do conflito não está chegando carga nova; o mercado está parado. Nosso diesel vem da Rússia e o problema é o preço. Ninguém sabe se a Petrobras vai repassar esse aumento”, declarou. A estatal mantém os valores congelados há mais de trezentos dias, gerando defasagem de oitenta e cinco por cento.

Impacto nas refinarias e cenário da gasolina

Sem alterações na tabela da petroleira federal, a Acelen, administradora da Refinaria de Mataripe, elevou o diesel em vinte e seis por cento em março, mas ainda registra diferença de quarenta e dois por cento. O panorama da gasolina é menos grave, com importações correspondendo a dez por cento da demanda. Contudo, a defasagem desse derivado está em quarenta e nove por cento.

No exterior, o petróleo Brent abriu negociações próximo a cento e vinte dólares antes de recuar. A analista da Stonex, Isabela Garcia, explicou a dinâmica. “O que ocorreu, na verdade, foi a consolidação das expectativas de um choque de oferta no mercado de petróleo”, afirmou. Ela detalhou o cenário: “Ao longo do fim de semana, ficou mais claro que a situação não está sendo resolvida. Os fluxos continuam interrompidos e os ataques à infraestrutura energética no Oriente Médio seguiram ocorrendo”.

Medidas globais e perspectivas de mercado

O presidente francês, Emmanuel Macron, sugeriu que o G7 utilize reservas estratégicas. Sobre isso, Garcia pontuou: “São medidas importantes e bem recebidas pelo mercado, mas a avaliação predominante é de que não serão suficientes para neutralizar totalmente o impacto do fechamento do Estreito de Ormuz”. A analista concluiu: “Por isso, o petróleo continua encontrando espaço para valorização enquanto não houver uma articulação mais clara entre os países do Oriente Médio, o Irã e outros grandes produtores globais para repor o volume que deixou de chegar ao mercado desde o início do conflito, que agora já se aproxima de dez dias”.

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