Rússia faz declaração inesperada sobre data final para a guerra na Ucrânia
Declarações ocorrem em meio a reuniões diplomáticas em Genebra e novos ataques aéreos contra infraestrutura ucraniana
O governo da Rússia declarou nesta quinta-feira que não trabalha com datas definidas para encerrar o conflito militar na Ucrânia, que já se estende por quatro anos. O posicionamento foi divulgado pouco antes de uma reunião diplomática em Genebra, na Suíça, destinada a preparar uma nova rodada de negociações. Delegações de Moscou e de Kiev viajaram para a cidade suíça para conversas separadas com autoridades dos Estados Unidos. O processo de negociação é liderado pelo presidente norte-americano Donald Trump, em uma tentativa de solucionar as hostilidades que resultaram em destruição generalizada e no deslocamento de milhões de cidadãos ucranianos para o exterior.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, enfatizou que o foco de Moscou está no cumprimento de objetivos e não no calendário. Segundo agências estatais, Lavrov questionou: “Vocês ouviram algo nosso sobre prazos? Nós não temos prazos, temos tarefas. E estamos cumprindo-as”. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, reforçou essa postura, alegando ser prematuro fazer projeções sobre o desfecho das conversas. Peskov afirmou à mídia estatal: “Seria um grande erro tentar definir qualquer tipo de fase ou fazer qualquer tipo de previsão agora . Não quero cometer esses erros”. Enquanto o presidente ucraniano Volodimir Zelensky defende um encontro direto com Vladimir Putin, Moscou reitera que uma cúpula presidencial só ocorrerá após a finalização de um acordo pelas equipes técnicas.
Ataques aéreos e troca de corpos
As movimentações diplomáticas na Suíça foram precedidas por uma noite de intensos bombardeios e pela troca de remanescentes de militares que perderam a vida em combate. A Rússia anunciou a entrega de mil corpos de soldados ucranianos a Kiev, recebendo em troca os restos mortais de 35 militares russos. Paralelamente, Moscou disparou cerca de 420 drones e 39 mísseis contra o país vizinho. Embora a maioria dos projéteis tenha sido interceptada, a ofensiva causou danos a edifícios residenciais e infraestruturas essenciais em oito regiões, deixando dezenas de feridos. Em Kiev, explosões foram ouvidas durante a madrugada, antecedendo o encontro entre o negociador ucraniano Rustem Umyerov e os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner.
O presidente Zelensky e Donald Trump conversaram por telefone na noite de quarta-feira sobre os preparativos para as novas negociações trilaterais, previstas para o início de março. Além disso, o assessor econômico do Kremlin, Kirill Dmitriev, tem agenda marcada com representantes americanos em Genebra. Informações apontam que Moscou propôs a Washington a retomada da cooperação econômica e a assinatura de acordos avaliados em centenas de bilhões de dólares. As tratativas baseiam-se em um plano apresentado pelos Estados Unidos no final do ano passado, mas enfrentam lentidão devido às complexidades no campo de batalha e às exigências de ambas as partes envolvidas no litígio.
Impasse sobre a região do Donbass
As negociações encontram-se paralisadas principalmente devido à situação no Donbass, região industrial no leste da Ucrânia que permanece como epicentro dos combates. A Rússia insiste em obter o controle total da região de Donetsk e indicou que poderá tomar a área pela força caso Kiev não ceda durante as conversas diplomáticas. A administração ucraniana, por sua vez, opõe-se firmemente a essas demandas territoriais e recusa-se a assinar qualquer acordo que não inclua garantias de segurança robustas para impedir que a Rússia invada o território novamente no futuro, considerando as exigências atuais de Moscou inaceitáveis.



