Defesa de padre alega contexto teológico em ação da família de Preta Gil
Religioso é acusado de intolerância após falecimento da cantora; defesa cita liberdade religiosa e contexto interno de fala em manifestação à Justiça
O padre Danilo César, vinculado à Paróquia São José em Campina Grande, na Paraíba, apresentou formalmente sua defesa no processo judicial movido pela família da cantora Preta Gil. A ação acusa o religioso de intolerância religiosa em virtude de comentários realizados dias após o falecimento da artista. A manifestação da defesa foi registrada no dia 10 de fevereiro, contestando as alegações de danos morais apresentadas pelos parentes da cantora, que buscam reparação na Justiça pelas declarações proferidas pelo sacerdote.
O episódio central do litígio ocorreu em 27 de julho do ano passado, exatamente uma semana após Preta Gil ter falecido aos 50 anos, vítima de complicações decorrentes de um câncer. Durante uma transmissão ao vivo na internet, que posteriormente foi retirada do ar, o religioso questionou o motivo pelo qual os orixás não teriam ressuscitado a artista. A ação é movida por diversos membros do núcleo familiar, incluindo o pai Gilberto Gil, a madrasta Flora, o filho Francisco e os irmãos da cantora.
Pedido de indenização e limites da expressão
Os familiares requerem uma indenização de R$ 370 mil por danos morais, argumentando que a postura do pároco excedeu os limites da liberdade de expressão. A acusação sustenta que as falas feriram a imagem e a religiosidade da artista, configurando um ataque direto à sua fé. O processo destaca o teor das declarações registradas na transmissão, interpretadas pela família como um ato de desrespeito em um momento de luto, o que motivou a busca pela reparação judicial.
Em sua argumentação perante o tribunal, o padre negou as acusações de intolerância e enfatizou que é preciso “considerar o contexto de sua fala”. A defesa alegou que as declarações foram proferidas durante um culto interno, tendo como público-alvo uma comunidade específica, sem a intenção de ofender praticantes de outras crenças. O religioso sustentou que não se dirigiu diretamente a outras religiões ao comentar o falecimento da cantora, cujas cinzas foram repartidas entre entes queridos.
Argumentos sobre crítica teológica e doutrina
O sacerdote afirmou ter agido dentro dos limites da liberdade religiosa, realizando o que classificou como uma crítica teológica destinada a encorajar os fiéis a respeitarem as doutrinas do catolicismo. A defesa reiterou que, em momento algum, houve incentivo para que os católicos destratassem pessoas que professam outra fé. O argumento central baseia-se na premissa de que a fala tinha caráter doutrinário interno, visando apenas a orientação espiritual de sua própria congregação.



