Reino Unido apura exploração sexual em aeroportos e realiza buscas em mansão ligada a ex-príncipe Andrew
Autoridades buscam provas de envio de dados confidenciais; Rei Charles III afirma que lei deve seguir seu curso após prisão do irmão
A Polícia Metropolitana de Londres iniciou uma investigação formal para determinar se aeroportos do Reino Unido foram utilizados como rota para o transporte de vítimas de tráfico de pessoas e exploração sexual vinculadas ao financista Jeffrey Epstein. A apuração ganhou força após a liberação de novos arquivos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que sugerem a logística britânica no esquema. Em comunicado oficial, a corporação declarou: “Após a nova divulgação de milhões de documentos judiciais relacionados a Jeffrey Epstein pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, estamos cientes da sugestão de que aeroportos de Londres possam ter sido usados para facilitar o tráfico de pessoas e a exploração sexual. Estamos avaliando essas informações e buscando ativamente mais detalhes junto a parceiros das forças de segurança, incluindo nos Estados Unidos”.
Paralelamente à questão aeroportuária, as autoridades concentram esforços no ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor. Agentes realizam buscas no Royal Lodge, residência situada em Berkshire, e em propriedades em Norfolk. O foco é descobrir se Andrew compartilhou relatórios confidenciais de comércio internacional com Epstein durante o período em que atuou como representante do governo. A Polícia do Vale do Tâmisa confirmou a detenção temporária de um homem na casa dos 60 anos, posteriormente identificado como o irmão do rei Charles III, sob a justificativa de haver “motivos razoáveis para suspeitar que um crime ocorreu”. Andrew permaneceu na delegacia por cerca de 11 horas para prestar depoimento antes de ser liberado.
Testemunhas e repercussão na monarquia
Para aprofundar o inquérito, a polícia informou estar “identificando e entrando em contato com ex-agentes e agentes que possam ter trabalhado de perto na proteção de Andrew Mountbatten-Windsor” com o objetivo de colher relatos sobre movimentações suspeitas. O histórico do caso envolve acusações graves, incluindo as de Virginia Giuffre, que apontou ter sofrido violência íntima quando menor de idade. Giuffre faleceu na Austrália em abril de 2025, após tirar a própria vida aos 41 anos. Apesar da ausência da principal testemunha, os novos documentos e fotografias anexados ao processo nos EUA mantêm a pressão sobre o ex-membro da realeza, que nega todas as imputações de conduta imprópria e crimes contra a dignidade sexual.
A situação jurídica de Andrew é delicada, com especialistas indicando que uma condenação por má conduta em cargo público poderia resultar em pena de prisão perpétua. O Palácio de Buckingham reagiu aos desdobramentos recentes. O rei Charles III manifestou ter recebido as informações “com preocupação”, mas assegurou que a instituição não interferirá no trabalho policial, ressaltando que “a lei precisa seguir seu curso”. Fontes ligadas à emissora BBC apontam que, se necessário, as buscas poderiam se estender até a residência oficial do monarca, e que Charles renunciaria “com certeza” a privilégios reais para permitir o acesso dos investigadores.
Procedimentos e cooperação internacional
As operações de busca devem continuar nos próximos dias, com a possibilidade de extensão de mandados para unidades de armazenamento. O subchefe de polícia Oliver Wright reforçou a seriedade da apuração: “Após uma avaliação minuciosa, abrimos uma investigação sobre esta alegação de má conduta no exercício de cargo público. É importante proteger a integridade e a objetividade da apuração enquanto trabalhamos com nossos parceiros”. Até o momento, não foram apresentadas novas acusações criminais formais referentes a delitos sexuais ocorridos em solo britânico, mas a análise do material apreendido e a cooperação com as autoridades norte-americanas serão determinantes para os próximos passos do processo judicial.



