Jovem de 15 anos criou mandados falsos contra Lula e Moraes, diz polícia
Investigação aponta uso de credenciais roubadas para inserir dados falsos no sistema do Judiciário; adolescente levava vida de luxo
A Polícia Civil de Goiás apontou um adolescente de 15 anos como o responsável pela inserção de mandados de prisão falsos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O caso foi revelado durante a Operação Lex Data, realizada em conjunto com o Tribunal de Justiça de Goiás e com apoio de corporações de outras unidades federativas. Segundo as apurações, o jovem acessou o Banco Nacional de Mandados de Prisão e o sistema Projudi utilizando credenciais subtraídas de servidores do Judiciário, o que lhe permitiu inserir, alterar e excluir informações oficiais nos bancos de dados.
As investigações indicam que os dados de acesso foram obtidos de maneira ilícita, provavelmente após funcionários clicarem em links maliciosos ou terem seus dispositivos infectados por vírus. A delegada Marcela Orçai, titular da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos, esclareceu que a estrutura tecnológica do Conselho Nacional de Justiça não sofreu invasão direta ou falha de segurança estrutural. “O sistema é seguro. O que ocorreu foi a subtração de credenciais de servidores. Com o usuário e a senha, foi possível inserir e alterar dados no sistema”, explicou a autoridade policial sobre o método utilizado pelo infrator.
Monitoramento de atividades suspeitas
O Tribunal de Justiça de Goiás detectou as fraudes e produziu um relatório técnico que baseou o inquérito criminal. Em apenas um dos casos monitorados, uma única credencial foi utilizada para realizar 102 movimentações no sistema, incluindo a criação de processos fictícios e a baixa indevida de ordens de captura. Embora o esquema tenha tentado beneficiar integrantes de organizações criminosas de alta periculosidade, as autoridades garantem que nenhuma alteração resultou na soltura efetiva de detentos, pois os dados foram corrigidos a tempo e os processos criados de forma fraudulenta acabaram arquivados pelas equipes de segurança institucional.
Durante as diligências, os agentes constataram que o adolescente investigado mantinha um padrão de vida elevado e incompatível com sua idade, além de estar fora do ambiente escolar há pelo menos dois anos. A apuração revelou que os acessos ilegais eram organizados e comercializados em ambientes virtuais. A delegada Sabrina Lenes, do Núcleo de Inteligência do TJGO, detalhou o funcionamento do esquema: “Essas credenciais eram reunidas em pacotes de dados e negociadas em plataformas de mensagens, com a finalidade de permitir a baixa fraudulenta de mandados de prisão”.
Medidas judiciais e administrativas
A operação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão nas cidades de Iporá, Goiânia e no Distrito Federal, visando recolher equipamentos para análise pericial aprofundada. O Conselho Nacional de Justiça informou que identificou a alteração indevida em janeiro e que o incidente foi tratado sem comprometer a integridade dos sistemas institucionais. O material apreendido será examinado para identificar outros possíveis envolvidos na compra ou uso dos acessos irregulares, enquanto o Ministério Público e o Judiciário avaliarão a responsabilização do menor e eventuais responsabilidades de seus tutores legais.



