Relógio do Juízo Final atinge marca histórica e aponta risco iminente de catástrofe
Ajuste reflete tensões nucleares entre potências globais, conflitos em andamento e crise climática segundo cientistas
O Relógio do Juízo Final, mecanismo mantido pelo Boletim de Cientistas Atômicos (BAS), foi ajustado para marcar 85 segundos para a meia-noite. Esta nova definição representa o momento mais próximo de uma catástrofe global já registrado desde a criação do dispositivo. A alteração de três segundos em relação ao ano anterior reflete, segundo a organização, o aumento das tensões entre potências nucleares como Estados Unidos, Rússia e China, além do enfraquecimento dos tratados de controle de armamentos. O avanço da inteligência artificial e os impactos ambientais também foram citados como fatores determinantes para o cenário atual de risco elevado.
Historicamente, o relógio oscilou conforme a geopolítica mundial. Em 1991, com o fim da Guerra Fria e a assinatura do Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start), os ponteiros estiveram em seu ponto mais distante, marcando 17 minutos para o fim. Contudo, a instabilidade recente reverteu esse quadro favorável. O pacto Start, que limita ogivas nucleares, tem expiração prevista para o início de fevereiro, e as negociações para sua manutenção enfrentam impasses diplomáticos. A atual marcação supera os registros de 2023 e 2024, quando o relógio permaneceu em 90 segundos antes de atingir o patamar crítico atual.
Tensões geopolíticas e riscos climáticos globais
O relatório de 2025 destacou a gravidade dos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio como aceleradores do risco global. Sobre a invasão russa, o documento alertou que a situação “poderia se tornar nuclear a qualquer momento devido a uma decisão precipitada, acidente ou erro de cálculo”. Além das ameaças bélicas, a crise climática permanece central na análise dos cientistas. O grupo enfatizou que “as perspectivas a longo prazo para as tentativas do mundo de lidar com as mudanças climáticas continuam ruins, com a maioria dos governos falhando em promulgar as iniciativas financeiras e políticas necessárias para deter o aquecimento global”.
A origem do Relógio do Juízo Final remonta a 1947, criado por cientistas que participaram do Projeto Manhattan. Inicialmente, figuras como Albert Einstein e Leo Szilard alertaram as autoridades sobre o potencial destrutivo das armas nucleares, o que culminou na fundação do Boletim para informar o público e pressionar governos. A artista Martyl Langsdorf desenvolveu o design do relógio para ilustrar a urgência das ameaças à civilização. Desde então, o símbolo serve como um termômetro da segurança internacional, tendo avançado significativamente em momentos como os primeiros testes de bombas termonucleares em 1953.
Simbolismo do relógio e eficácia da resposta
Especialistas debatem se o relógio mede o nível exato de perigo existencial ou a eficácia da resposta humana a essas ameaças. Em 2003, o cosmólogo Martin Rees estimou que a chance de a civilização sobreviver ao século 21 era de “no máximo 50%”. Diferente de uma métrica de risco imediato, muitos observadores consideram que o movimento dos ponteiros avalia a capacidade política e social de mitigar desastres. A assinatura de tratados de proibição de testes nucleares no passado resultou no recuo dos ponteiros, demonstrando que a mobilização diplomática pode reverter tendências negativas.



