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A nova posição do Brasil no ranking mundial e o país que ameaça os EUA

Estudo da Brand Finance divulgado em Davos mostra avanço brasileiro em cultura e esportes, enquanto China reduz diferença para a liderança americana

O Brasil apresentou uma melhora em sua percepção internacional ao subir duas posições no Global Soft Power Index 2026, passando da 31ª para a 29ª colocação. O relatório, elaborado pela consultoria Brand Finance e divulgado durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, marca o retorno do país ao grupo das 30 nações mais influentes do mundo. O conceito de soft power avaliado pelo estudo mede a capacidade de uma nação em atrair e persuadir outros países através de cultura, valores e diplomacia, sem o uso de força militar ou coerção econômica.

A pontuação geral brasileira alcançou 49.2, registrando um aumento de 0.4 em comparação ao ano anterior, o que mantém o país como o mais influente da América Latina. O desempenho foi impulsionado por indicadores associados à cultura, comportamento e, principalmente, esportes, categoria na qual o Brasil superou a Argentina e ficou em primeiro lugar. Apesar do avanço, o relatório aponta deficiências persistentes na percepção externa sobre questões que impactam o ambiente de negócios, como taxas de corrupção e segurança pública.

Cenário das grandes potências

Os Estados Unidos permanecem no topo do ranking geral, mas registraram a maior perda de imagem entre todos os países analisados, com uma queda de 4,6 pontos. A redução está associada a uma piora na reputação e em atributos como relações diplomáticas e valores democráticos, sob a gestão de Donald Trump. Enquanto isso, a China manteve a segunda posição e reduziu a distância para o líder, apresentando melhorias em 19 dos 35 atributos avaliados, incluindo governança, inovação e tecnologia, consolidando-se como principal alternativa ao domínio simbólico norte-americano.

O Japão ascendeu à terceira colocação, ultrapassando o Reino Unido, impulsionado pela retomada do turismo e boas avaliações em comércio e sustentabilidade. A metodologia do índice combina dados quantitativos e qualitativos, baseando-se em uma pesquisa com mais de 150 mil pessoas em mais de 100 países para avaliar os 193 Estados-membros da ONU. A Suíça também se destacou pela consistência, liderando em métricas de estabilidade e economia, enquanto os Emirados Árabes Unidos ingressaram no top 10 global.

Percepção detalhada e atributos

A análise específica dos atributos brasileiros revela contrastes significativos na imagem do país no exterior. O Brasil obteve pontuações elevadas em categorias como “bom lugar para se visitar” e “amigável”, além de ser considerado “divertido” e “influente em artes e entretenimento”. A familiaridade com a nação é alta, marcando 8,1 pontos. No entanto, a percepção sobre proteção ambiental foi de apenas 3,4 pontos, mesmo com a visibilidade da COP30.

Já em quesitos estruturais, o desempenho foi inferior, com notas baixas em “altos padrões éticos e baixa corrupção” e “segurança”, refletindo problemas históricos noticiados globalmente. O relatório destaca que, apesar do desgaste na imagem geral, figuras políticas como Donald Trump continuam “moldando o noticiário global”, o que reforça a visibilidade dos Estados Unidos, ainda que sua reputação tenha caído 11 posições.

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