Brasil

Governo do Rio investirá R$ 2 bilhões em monitoramento por câmeras

Projeto prevê integração de órgãos estaduais e uso de inteligência artificial para segurança e gestão urbana

O governo do estado do Rio de Janeiro anunciou, nesta quinta-feira, o lançamento do Programa Sentinela, uma iniciativa voltada para a ampliação do monitoramento eletrônico em território fluminense. O projeto estipula a criação de 182 centros de controle distribuídos por 91 municípios, excluindo a capital, que já possui estrutura similar. A medida inclui a instalação de 220 mil câmeras equipadas com tecnologia de inteligência artificial. O sistema será acessível a diversas instituições, incluindo as polícias Civil e Militar, a Defesa Civil, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), as secretarias de Meio Ambiente e da Fazenda, além de órgãos como Degase, Detran e Detro.

Durante a coletiva de imprensa, representantes estaduais detalharam que a tecnologia permitirá análises avançadas das imagens captadas. O major Agdan Fernandes, diretor de Infraestrutura de Tecnologia do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), destacou a versatilidade do sistema para a gestão pública e situações de emergência. Segundo ele, “O programa poderá ser utilizado pelas cidades em diversas frentes. Com os recursos de inteligência artificial, o vídeo poderá ser analisado em tempo real, permitindo, por exemplo, a identificação imediata de queimadas”.

Cronograma e investimento previsto

A licitação para a contratação das empresas responsáveis está agendada para iniciar em 23 de fevereiro, com a homologação prevista para ocorrer cerca de trinta dias depois. O governo estadual estima que o custo total para a implementação do sistema gire em torno de R$ 2 bilhões. Um projeto-piloto deverá entrar em funcionamento ainda este ano no bairro de Copacabana, na capital, e na cidade de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Após a finalização do processo licitatório, a empresa vencedora terá um prazo de 180 dias para entregar os equipamentos e instalar os centros de controle, que estarão conectados a seis unidades regionais já operantes em Duque de Caxias, Volta Redonda, Petrópolis, São Gonçalo, Cabo Frio e Campos.

A estratégia do programa contempla o aproveitamento de equipamentos já existentes nas cidades para evitar duplicidade de gastos e otimizar recursos. A definição dos locais para as novas câmeras será realizada em parceria com as administrações municipais, focando em segurança, iluminação e ordenamento urbano. O major Agdan Fernandes reforçou essa diretriz de integração: “Nos municípios onde já houver câmeras instaladas, o Estado poderá aproveitar essa estrutura, sem a necessidade de novos investimentos. O Sentinela também prevê a integração com sistemas legados, e não apenas a instalação de novos equipamentos”. Ele acrescentou ainda: “Não queremos impor os locais de instalação. Queremos ouvir os municípios para definir onde as câmeras serão mais eficazes, aliando essa decisão a um modelo matemático objetivo de distribuição”.

Agilidade na elucidação de crimes

O governador Cláudio Castro enfatizou que o Programa Sentinela tem como um de seus pilares a redução da burocracia nos processos investigativos, visando impactar os índices de criminalidade. A centralização e o acesso facilitado às imagens pretendem modernizar o trabalho policial, que atualmente enfrenta etapas manuais demoradas. Castro ilustrou a mudança de paradigma na rotina operacional: “Hoje, em uma ocorrência em Copacabana, o policial precisa identificar manualmente quais câmeras existem, anotar numerações, mapear rotas de fuga, descobrir se as câmeras pertencem à prefeitura, a prédios ou a outros órgãos e, depois, solicitar as imagens uma a uma, um processo manual. Com o Sentinela, isso muda”.

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