Davi Alcolumbre resiste à abertura de CPI do Banco Master apesar de assinaturas
Decisão sobre investigação deve ficar para fevereiro; líderes apontam ano eleitoral e pressão de bancada aliada a empresário como entraves
A liderança do Congresso Nacional avalia que o atual cenário político não é propício para o início de investigações relacionadas ao Banco Master. O presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), tem demonstrado resistência quanto à abertura da comissão neste momento. De acordo com relatos de líderes partidários, a definição sobre a viabilidade da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) deverá ocorrer apenas após o fim do recesso parlamentar, com a retomada das atividades legislativas em fevereiro. Alcolumbre planeja dialogar com outros senadores para avaliar a temperatura política antes de tomar uma decisão formal, embora já exista número suficiente de assinaturas para a criação de comissões no Senado, na Câmara e de uma mista.
Na Câmara dos Deputados, os pedidos de investigação entram em uma fila cronológica, o que naturalmente retarda o processo. No entanto, para uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), o entendimento é de que não existe tal fila. Nesses casos, “basta a leitura do requerimento em sessão do Congresso para que a comissão possa ser instalada”. Uma estratégia possível para adiar o processo é postergar a convocação de sessões do Congresso Nacional, pois sem a sessão não há leitura do requerimento. Embora esse mecanismo possa ser utilizado para “empurrar com a barriga” a criação da comissão, existe precedente do Supremo Tribunal Federal (STF), estabelecido durante a CPI da Covid, determinando a obrigatoriedade da instalação após a leitura do pedido.
Impacto no ano eleitoral e governo
Interlocutores avaliam que a presidência do Congresso pode utilizar o expediente de não convocar sessões para tentar adiar a abertura da CPMI do Banco Master. A percepção predominante é de que o fato de 2026 ser um ano eleitoral cria dificuldades adicionais para qualquer avanço nas investigações. Além disso, há o entendimento de que, para o Poder Executivo, a instalação de CPIs é indesejável no momento atual, mesmo que o governo não seja o alvo direto. O argumento utilizado é que comissões de inquérito costumam paralisar a agenda legislativa e possuem potencial para contaminar o ambiente político, repetindo cenários observados em legislaturas anteriores.
Nos bastidores, um fator apontado como central para a resistência à comissão é a atuação da chamada bancada ligada a Daniel Vorcaro. O empresário manteve relações próximas com lideranças influentes, especialmente dentro do bloco do Centrão. Esse grupo tem atuado ativamente, inclusive durante o período de recesso parlamentar, para tentar impedir a instalação da CPI, a despeito da existência de assinaturas suficientes tanto na Câmara quanto no Senado. A influência política desse grupo é considerada um dos principais obstáculos para que o requerimento saia do papel e as investigações sejam iniciadas.
Articulação de Davi Alcolumbre
A condução do processo depende diretamente das articulações de Davi Alcolumbre, que busca medir o ambiente político antes de qualquer deliberação. A estratégia de adiar a leitura do requerimento em sessão conjunta do Congresso permanece como uma ferramenta à disposição da presidência para gerenciar o tempo político da investigação. Enquanto a pressão por parte dos parlamentares que assinaram o pedido continua, a decisão final sobre o cronograma e a efetiva instalação da comissão aguarda o retorno dos trabalhos em fevereiro, quando o presidente do Congresso deverá sinalizar se cederá à pressão técnica das assinaturas ou manterá a blindagem política articulada pelos aliados do empresário.



