A nova guerra fria da inteligência artificial: como a China planeja derrubar o domínio dos EUA
Xi Jinping propõe aliança com o Sul Global e defende tecnologia de código aberto para redefinir as regras do setor tecnológico
O presidente chinês Xi Jinping utilizou a Conferência Mundial de Inteligência Artificial em Xangai para posicionar Pequim como líder de uma nova ordem global. Ele defendeu sistemas de código aberto para descentralizar o domínio dos Estados Unidos sobre a inteligência artificial. O governo asiático busca consolidar influência oferecendo suporte a nações em desenvolvimento, visando evitar “novas injustiças históricas” causadas pela desigualdade no acesso à inovação.
A estratégia envolve compartilhar conhecimento com o Sul Global. A mídia estatal classifica as ações norte-americanas como tentativa de criar uma “Cortina de Ferro da IA”, enquanto a iniciativa chinesa rivaliza com a coalizão “Pax Silica”. A emissora CCTV destacou que a meta é construir “uma nova ordem” ao “reunir as forças de toda a humanidade e de todos os países para construir um ecossistema de IA de código aberto e que abranja todos os fatores”.
Inteligência artificial e a aliança da China no setor
O governo anunciou centros de cooperação para Brics, ASEAN, União Africana e América Latina. O movimento acompanha a Organização Mundial de Cooperação em IA (WAICO), com 29 países. Xi Jinping descreveu a entidade como um “marco na história do desenvolvimento mundial da IA”. Na segurança, o presidente exigiu que os sistemas fiquem sob supervisão humana, sugerindo mecanismos de alerta para evitar que máquinas autônomas escapem do controle.
O cenário corporativo reflete a disputa, com modelos abertos asiáticos ganhando espaço frente aos sistemas fechados de companhias como OpenAI. A startup Moonshot AI apresentou o Kimi K3, classificado como o maior modelo aberto do mundo. A movimentação ocorre enquanto os Estados Unidos limitam o acesso a componentes de ponta, forçando o mercado chinês a acelerar seu desenvolvimento interno para garantir autonomia.
Xi Jinping e a disputa contra os EUA por tecnologia
Especialistas avaliam que o discurso une avanços técnicos e diplomacia. Alfredo Montufar-Helu afirmou: “Temos o líder do segundo país mais poderoso do mundo, um país que ainda registra avanços tecnológicos reais apesar de tudo o que está acontecendo com os EUA, se levantando e expondo a visão da China sobre a IA”. George Chen resumiu: “A mensagem de Xi é clara: a China não vai seguir ninguém, tanto em tecnologia de IA quanto em padrões. Em vez disso, a China vai liderar o mundo em ambos os aspectos”.



