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Cacique Raoni na UTI: entenda como é o tratamento do líder indígena em São Paulo

Unidade médica da Unifesp é referência nacional no atendimento aos povos originários e atua no Xingu desde 1965.

O líder indígena Cacique Raoni Metuktire encontra-se internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital São Paulo, instituição ligada à Universidade Federal de São Paulo. O paciente apresenta um quadro clínico estável após registrar um episódio de hemorragia digestiva alta no início da semana. A escolha da unidade médica para a condução do tratamento não ocorreu por acaso, uma vez que o local possui um histórico de mais de seis décadas de atuação direta com os povos originários do território nacional.

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Desde o ano de 1965, a equipe médica da Unifesp mantém um trabalho contínuo no Território Indígena do Xingu, acumulando mais de 35 mil atendimentos a essa população. Durante a atual internação, os especialistas do hospital trabalham em conjunto com tradutores e pajés, promovendo uma integração entre as práticas da medicina contemporânea e os conhecimentos ancestrais. Essa abordagem visa respeitar as particularidades culturais do paciente durante todo o processo de recuperação clínica.

Atendimento a indígenas no Hospital São Paulo e Unifesp

A estrutura que acolhe o líder Kayapó é fruto de uma parceria estabelecida em 1989, quando a Escola Paulista de Medicina fundou o Ambulatório de Saúde dos Povos Indígenas. Este setor funciona como a principal porta de entrada para pacientes de diversas etnias que necessitam de cuidados médicos de média e alta complexidade. O modelo desenvolvido pela instituição alia a infraestrutura hospitalar avançada ao conhecimento prático adquirido ao longo de anos de convivência com as comunidades tradicionais.

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Além do suporte oferecido na capital paulista, os profissionais de saúde realizam uma média de seis expedições anuais aos territórios demarcados. Nessas viagens, as equipes promovem campanhas de vacinação, rastreamento de patologias e capacitação de agentes locais de saúde. As ações em campo já resultaram em mais de 20 mil consultas médicas, consolidando a presença da universidade nas aldeias e garantindo um acompanhamento preventivo contínuo para as populações mais distantes dos centros urbanos.

Dr. Douglas Rodrigues e o histórico médico do Cacique Raoni

O acompanhamento clínico atual é supervisionado pelo coordenador do ambulatório, o médico Douglas Rodrigues, que atua na área desde 1981 e conhece o paciente há mais de quarenta anos. A metodologia de trabalho aplicada pela equipe prioriza a escuta qualificada e a sensibilidade diante das diferenças socioculturais. A estrutura montada para receber lideranças e membros das comunidades reforça a necessidade de adaptação dos serviços de saúde para o acolhimento adequado da população indígena no ambiente hospitalar.

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