Política

Reviravolta nas eleições: Suprema Corte dos EUA aprova mapa polêmico que beneficia Donald Trump

Decisão judicial reduz distritos com maioria de eleitores negros e integra estratégia republicana para manter controle na Câmara dos Representantes

A Suprema Corte dos EUA autorizou o estado do Alabama a utilizar uma divisão de distritos eleitorais elaborada em 2023, cuja configuração beneficia o Partido Republicano. A deliberação reverte o entendimento de um tribunal inferior, que havia barrado o modelo sob a justificativa de que o desenho territorial discriminava intencionalmente os eleitores negros. Com a aprovação garantida pela maioria conservadora do colegiado, a nova organização geográfica mantém apenas um dos sete distritos com população majoritariamente negra, eliminando uma segunda área de representação que existia no formato imposto anteriormente pela Justiça.

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Os três magistrados da ala liberal do tribunal votaram contra a medida e registraram em documento que a liberação “desconsidera tanto os valores democráticos quanto o Estado de Direito”. Após a definição do cenário jurídico, a governadora republicana do Alabama, Kay Ivey, comunicou que o formato de 2023 será aplicado nas primárias especiais para o Congresso, marcadas para o dia 11 de agosto. A realização desse pleito interno estava suspensa pela administração estadual justamente enquanto se aguardava o parecer definitivo da instância máxima do judiciário americano.

Impacto do mapa eleitoral de Donald Trump no Alabama

O redesenho das zonas de votação integra uma mobilização política mais ampla liderada por Donald Trump, com o objetivo de assegurar a estreita vantagem republicana na Câmara dos Representantes nas eleições de novembro. Tradicionalmente, as fronteiras legislativas nos Estados Unidos passam por atualizações apenas uma vez a cada dez anos, logo após a divulgação dos censos demográficos. No entanto, um processo atípico de reestruturação foi iniciado no Texas em junho de 2025, a pedido do ex-presidente, e desde então a prática se expandiu para outras regiões do país.

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A validação do modelo adotado pelo Alabama gerou manifestações de entidades ligadas aos direitos civis. Deuel Ross, diretor do NAACP Legal Defense Fund, criticou a postura do judiciário em relação à representatividade demográfica. Segundo o representante da organização, “A decisão da Suprema Corte dá respaldo ao Alabama e a outros [estados] para discriminar deliberada e abertamente os eleitores negros, sem receio de qualquer consequência. A decisão desavergonhada da corte de restabelecer um mapa intencionalmente discriminatório em bases raciais desafia qualquer aplicação criteriosa ou consistente da lei”.

Suprema Corte dos EUA e as mudanças na lei de direitos de voto

O atual panorama jurídico reflete decisões recentes que alteraram a interpretação das normas eleitorais no país. Em abril, a mesma corte anulou um distrito de maioria negra na Louisiana, argumentando que a delimitação havia utilizado critérios raciais de forma excessiva, o que enfraqueceu a aplicação da Lei dos Direitos de Voto de 1965. Seguindo esse precedente, o estado do Tennessee também aprovou uma nova divisão que desestruturou uma área de maioria negra controlada por democratas na região de Memphis, enquanto a Louisiana avançou com planos para suprimir um de seus distritos com forte presença dessa população.

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