Opinião

42 anos de resistência: a última turnê do Sepultura

Por: Elen de Souza

Com os olhos marejados, inicio o texto de hoje. Após 42 anos de história, mais tempo do que eu tenho de vida, a banda Sepultura anunciou seu último show, marcado para o dia 7 de novembro, no Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo. As vendas dos ingressos ainda não foram anunciadas, mas a notícia já carrega aquele peso inevitável de fim de era para o metal brasileiro e mundial.

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Formada em Belo Horizonte em 1984 pelos irmãos Max Cavalera e Igor Cavalera, a banda surgiu em um cenário onde o heavy metal brasileiro ainda buscava espaço e reconhecimento internacional. Com discos históricos como Beneath the Remains, Arise, Chaos A.D. e Roots, o Sepultura não apenas revolucionou o metal extremo, como criou uma identidade sonora única ao misturar thrash, death metal e elementos da musicalidade brasileira e indígena. Eles levaram o nome do Brasil para palcos do mundo inteiro, tornando-se uma das maiores bandas brasileiras de todos os tempos e uma referência absoluta do gênero.

Nesses anos todos, os fãs já viveram a despedida dos irmãos Igor e Max Cavalera. Na época, achei que seria o fim. Muitos acharam. A saída de Max, em especial, parecia impossível de superar. Mas o Sepultura resistiu. E muito dessa resistência também passa pela permanência de Andreas Kisser e Paulo Jr., que seguiram firmes em meio às mudanças, mantendo viva a essência da banda mesmo diante das transformações mais difíceis. Foram eles que ajudaram a sustentar o Sepultura em seus momentos mais turbulentos, mostrando que legado também se constrói com permanência, resiliência e paixão pela música.

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Acolhemos Derrick Green, que chegou carregando a difícil missão de assumir os vocais em uma banda marcada por uma legião do que chamávamos, carinhosamente, de “viúvas do Max”. Eu, particularmente, prefiro o Derrick,  mas não vamos abrir essa pauta hoje.

Com o tempo, Derrick conquistou seu espaço, sua identidade e ajudou a escrever uma nova fase da banda, mostrando que o Sepultura era maior do que qualquer formação específica. Ano passado, foi a vez de nos despedirmos de Eloy Casagrande, às vésperas do início da última turnê. Mais uma vez, o susto veio acompanhado da dúvida: “e agora?”. Mas deu tudo certo. Greyson Nekrutman chegou e assumiu as baquetas com uma energia impressionante, honrando o legado da banda e mostrando respeito por uma história construída ao longo de décadas.

O Sepultura sobreviveu às mudanças, às perdas, às críticas e ao tempo. E talvez seja justamente isso que transforme sua trajetória em algo tão grandioso. O fim da banda não apaga sua importância,  pelo contrário, consolida seu legado como uma potência cultural brasileira que atravessou fronteiras, rompeu barreiras linguísticas e provou ao mundo que o metal feito no Brasil podia ocupar qualquer palco, em qualquer país.

O Sepultura não foi apenas uma banda. Foi resistência, identidade, ruptura e orgulho nacional. E mesmo quando os amplificadores se calarem pela última vez no Pacaembu, sua música continuará ecoando em gerações inteiras que aprenderam, através do peso de seus riffs, que o Brasil também pode ser gigante no rock mundial.

 

 

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