Brasil

Taxa de homicídios no Brasil cai ao menor nível desde 1998, mas mortes ocultas disparam

Dados do Atlas da Violência revelam que a falta de registros adequados mascara a real situação da segurança pública no país

A taxa de homicídios no Brasil atingiu seu menor patamar desde 1998, segundo o Atlas da Violência, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em 2024, o país contabilizou 20,1 ocorrências por 100 mil habitantes. Apesar da retração de 7,4% ante o ano anterior, pesquisadores identificaram um aumento expressivo nas mortes violentas sem classificação adequada, comprometendo a precisão das estatísticas.

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A redução da violência letal ocorreu de maneira desigual pelo território nacional. São Paulo, Santa Catarina e o Distrito Federal registraram os menores indicadores oficiais. Em contrapartida, Amapá, Bahia e Pernambuco concentraram as maiores proporções. O levantamento destaca que 17 dos 20 municípios com mais de 100 mil habitantes com os piores índices estão no Nordeste, reflexo de diferenças históricas de desenvolvimento econômico e capacidade institucional.

Dados do Atlas da Violência sobre a taxa de homicídios no Brasil

A aparente melhora no cenário contrasta com o avanço das Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI). São episódios em que o Estado não define se o óbito resultou de acidentes, de pessoas que tiraram a própria vida ou de atos criminosos. O coordenador do estudo, Daniel Cerqueira, notou que a falha surpreendeu a equipe. “Esperávamos que houvesse menos ou, pelo menos, o mesmo número de mortes violentas por causa indeterminada. Isso não ocorreu. Pelo contrário, o número aumentou muito em 2024 e fez sombra a essa queda histórica”, afirmou.

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Para compreender a dimensão do problema, especialistas criaram uma metodologia para estimar quantos registros indefinidos são crimes não notificados. Constatou-se que, das 17.207 mortes violentas sem causa determinada em 2024, 7.083 consistiam em homicídios ocultos. Sobre a identificação, Cerqueira explicou: “O modelo acha, probabilisticamente, padrões de letalidade (homicídio ou não homicídio), olhando as características das vítimas e das situações em que aconteceram os fatos”.

Daniel Cerqueira e o Ipea explicam os homicídios ocultos

O volume de registros ocultos cresceu 88,6% em um ano, passando de 3.755 em 2023 para mais de sete mil em 2024. Assim, os casos sem classificação representam agora 14,3% da violência letal estimada no país. A falta de compartilhamento de dados entre a saúde e as polícias é apontada como a principal causa para essa defasagem estatística, impactando o planejamento de ações governamentais de segurança.

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