Mizael Bispo lança livro sobre o caso Mércia Nakashima e nega autoria do crime
Obra escrita durante cumprimento de pena traz versão do ex-policial sobre a investigação e altera nomes dos envolvidos no processo.
O ex-policial Mizael Bispo, condenado por tirar a vida de Mércia Nakashima, publicou um livro digital onde contesta a decisão judicial e nega envolvimento no crime de 2010. A obra, vendida em uma plataforma online, foi redigida enquanto ele cumpria pena em regime fechado. No material, o autor apresenta sua versão sobre os fatos que resultaram no falecimento da ex-namorada, episódio que completou dezesseis anos recentemente.
Com cerca de cento e quarenta páginas, a publicação intitulada “Na Cova dos Leões” traz críticas diretas à polícia, ao Ministério Público e à imprensa. Em vídeos divulgados nas redes sociais, ele declarou que o texto revela os bastidores do processo. “É uma história real e sem ficção. Tenho certeza que vocês irão adorar dessa história sem manipulação e sem cortes”, afirmou. A defesa relatou ter supervisionado a escrita, comparando a situação do cliente a uma figura bíblica.
Livro de Mizael Bispo altera nomes no caso Mércia Nakashima
No texto, o condenado optou por modificar as identidades dos envolvidos na investigação. A vítima passou a ser chamada de Márcia, seu irmão foi renomeado para Marcos, e autoridades como o delegado Antônio de Olim receberam pseudônimos. O ex-policial argumenta que outras pessoas próximas à advogada deveriam ter sido investigadas e sustenta que o responsável pelo ato violento segue impune. “Não foram atrás do autor do crime”, registrou em um dos trechos.
O desaparecimento ocorreu em maio de 2010, após a vítima sair da casa da avó na cidade de Guarulhos. Semanas depois, seu carro foi localizado submerso em uma represa no município de Nazaré Paulista, e o corpo foi resgatado no dia seguinte. A investigação apontou que o ex-namorado cometeu o crime por não aceitar o término do relacionamento. Uma alga encontrada no sapato do acusado foi a principal prova técnica que confirmou sua presença no local.
Autoridades rebatem acusações de Mizael Bispo sobre o crime
A divulgação do material gerou respostas imediatas dos profissionais que atuaram no inquérito original. O promotor Rodrigo Merli Antunes alertou sobre possíveis consequências legais para o autor. “Que ele publique o que quiser. Mas que não reclame depois de ser eventualmente processado por calúnia e difamação”, pontuou. O delegado Antônio de Olim também rejeitou as alegações, afirmando que pelas leis atuais o caso seria julgado como crime contra mulher. Atualmente, o ex-policial cumpre o restante da pena em regime aberto.



