Sonia Guajajara assume cargo inédito para indígenas brasileiros no exterior; entenda a nova função
A deputada federal vai comandar um grupo de trabalho focado nos direitos de mulheres e meninas indígenas em 35 países das Américas e do Caribe
A deputada federal Sonia Guajajara foi escolhida para atuar como copresidente do Grupo Parlamentar sobre os Direitos das Mulheres e Meninas Indígenas, vinculado ao ParlAmericas. A definição ocorreu na última terça-feira (19), durante um encontro preparatório para a 22ª Assembleia Plenária da organização, sediado em Ottawa, no Canadá. Com a nomeação, a parlamentar alcança o posto de primeira representante indígena do Brasil a assumir uma função de coordenação dentro desta rede diplomática interamericana, que engloba legislativos de 35 nações das Américas e da região do Caribe.
O objetivo principal da nova comissão é ampliar a atuação conjunta de lideranças femininas originárias e garantir maior presença desses povos em espaços multilaterais de decisão. A ex-ministra dividirá o comando dos trabalhos com Margo Greenwood, senadora canadense de ascendência Cree, reconhecida por sua atuação em políticas públicas para povos tradicionais. Sobre a iniciativa, a deputada brasileira declarou: “Criamos um grupo de trabalho para que a gente possa discutir, fomentar a participação e proteger a vida de mulheres e meninas indígenas.”
Qual a função de Sonia Guajajara no ParlAmericas
Durante o evento no território canadense, a representante do legislativo brasileiro discursou sobre a necessidade de aumentar a representatividade originária nas esferas de poder. A parlamentar destacou o histórico de exclusão nas decisões políticas nacionais e defendeu a ocupação desses espaços institucionais. “Por um parlamento cada vez mais indígena. Porque a gente acompanhava ali as votações, as discussões no Congresso e nossos direitos estavam sendo negociados, votados, e a gente não tinha nenhuma participação”, afirmou a deputada durante a assembleia.
A coordenadora recém-eleita também ressaltou que as garantias previstas na Constituição e nos acordos internacionais não bastam sem a aplicação prática no cotidiano das comunidades. Segundo a líder política, a teoria legal precisa se transformar em resultados visíveis para as populações tradicionais. “Precisávamos sentir concretamente o acesso à educação, o acesso à saúde, o respeito às culturas e, sobretudo, aos territórios”, pontuou a representante brasileira ao explicar as motivações que impulsionam a articulação internacional do grupo.
Participação de lideranças indígenas no Canadá
A eleição integrou a programação do encontro focado na liderança parlamentar de mulheres indígenas no continente americano, voltado ao fortalecimento de direitos e ações coletivas. O congresso internacional reuniu especialistas vinculados à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Organização dos Estados Americanos (OEA). Além da delegação do Brasil e do país anfitrião, as mesas de debate contaram com a presença de legisladores de origem tradicional de diversas nações, incluindo representantes da Argentina, Colômbia, Equador, Guatemala, México e Panamá.



