Projeto para dissolver parlamento de Israel é aprovado por unanimidade e antecipa eleições
Decisão unânime no Knesset ocorre após crise sobre alistamento militar e pode definir o futuro político de Benjamin Netanyahu
Os legisladores aprovaram por unanimidade, com 110 votos, um projeto preliminar para a dissolução do parlamento de Israel, o Knesset. A votação desta quarta-feira (20) prepara o terreno para eleições antecipadas no país. A medida teve respaldo tanto da base do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu quanto das legendas que compõem a oposição.
O texto não estipula uma data exata para o pleito e o cronograma de sanção definitiva segue em aberto. A regra estabelece que a votação popular ocorra em até cinco meses após a aprovação final no plenário. Na prática, a organização das urnas precisaria ser concluída até o final de outubro, a depender do andamento dos trâmites legislativos.
Crise no governo de Benjamin Netanyahu e o parlamento de Israel
A manobra ganhou tração quando aliados do partido Judaísmo Unido da Torá apoiaram a oposição, após impasses sobre a isenção do alistamento militar para estudantes ultraortodoxos. Ofir Katz, líder da coalizão, apresentou seu próprio projeto e defendeu a gestão. “Aprovamos nove orçamentos neste mandato e 520 leis. Em relação à lei do alistamento militar, aprovaremos uma lei que seja fruto do diálogo e que atenda às necessidades das Forças de Defesa de Israel”, declarou.
Opositores comemoraram o avanço da pauta. Yair Golan, do Partido Democrata, definiu o episódio como “o começo do fim do pior governo da história de Israel”. Ele também citou o impacto do dia em que o Hamas invadiu o sul do país, tirou a vida de 1.200 pessoas e fez 250 reféns. “O governo que causou danos sem precedentes está chegando ao fim de sua trajetória. Estas eleições são sobre o 7 de outubro”, afirmou Golan em nota.
Pesquisas para as eleições antecipadas no Knesset
O cenário eleitoral projeta um panorama fragmentado. Uma pesquisa do Canal 12 mostrou que 42% dos eleitores que votaram no Likud, partido de Netanyahu, consideram mudar de lado na próxima ida às urnas. O levantamento indica que o bloco de oposição conquistaria 59 cadeiras, duas a menos que a maioria no Knesset, que tem 120 assentos. A atual coalizão garantiria 51 vagas, e os partidos árabes ficariam com 10 representantes.



