Demissões na Meta atingem 8 mil funcionários para focar em inteligência artificial
Cortes afetam equipes de engenharia e produtos nos EUA e Ásia, enquanto Mark Zuckerberg prioriza investimentos bilionários em IA
A Meta iniciou o desligamento de oito mil colaboradores. A medida, comunicada nesta quarta-feira (20), visa redirecionar recursos para a inteligência artificial (IA). Os cortes começaram na Ásia e se estenderam aos profissionais dos Estados Unidos, instruídos a trabalhar remotamente durante a reestruturação. As áreas de engenharia e produtos são as mais impactadas pela redução do quadro, que contava com 80 mil pessoas em março.
A decisão ocorre após a companhia destinar mais de US$ 100 bilhões para despesas na nova tecnologia. Antes, a empresa já havia transferido sete mil profissionais para grupos de IA. Em memorando, a chefe de pessoal, Janelle Gale, explicou a mudança. “Estamos agora no estágio em que muitas organizações podem operar com uma estrutura mais horizontal, com equipes menores de ‘pods’ ou grupos que podem ser mais rápidos e ter mais autonomia”, declarou, acrescentando que “Acreditamos que isso nos tornará mais produtivos e tornará o trabalho mais recompensador.”
Impacto das demissões na Meta e a estratégia de Mark Zuckerberg
O foco em inteligência artificial foi estabelecido pelo CEO Mark Zuckerberg para manter a competitividade diante da OpenAI e do Google. O executivo implementou diretrizes que alteram a dinâmica interna, incentivando o uso de assistentes virtuais na programação. Fontes da Bloomberg indicaram que novas rodadas de cortes podem acontecer ainda em 2026, refletindo a busca contínua por eficiência operacional exigida pela liderança da companhia.
As modificações corporativas geraram insatisfação e um quadro de tensão emocional entre os trabalhadores. Mais de mil colaboradores assinaram uma petição direcionada a Zuckerberg e aos diretores. O documento exige que a empresa não colete dados dos dispositivos corporativos para treinar modelos de linguagem. Paralelamente, a agressividade dos aportes financeiros no setor despertou ressalvas entre os investidores, que avaliam os riscos de retorno.
Custos com inteligência artificial e a economia gerada pelos cortes
A justificativa oficial apresenta as dispensas como forma de “compensar” os valores aplicados nos projetos. Segundo a consultoria Evercore, a eliminação das vagas resultará em uma economia de US$ 3 bilhões. Esse montante representa uma fração pequena comparado às estimativas de gastos da companhia para 2026, que podem atingir US$ 145 bilhões. O planejamento financeiro prevê o desembolso de centenas de bilhões adicionais em infraestrutura até o fim da década.



