Fim da escala 6×1 vai sair do papel? Presidente de comissão revela bastidores da Câmara
Deputado descarta necessidade de compensação patronal e defende reorganização dos setores para reduzir a jornada de trabalho.
O avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6×1 apresenta perspectivas favoráveis na Câmara dos Deputados. O deputado federal Alencar Santana (PT-SP), presidente da comissão especial responsável por analisar a matéria, declarou nesta quinta-feira (30) que percebe um ambiente propício para a tramitação do texto. A instalação do colegiado ocorreu na quarta-feira (29), marcando o início formal dos debates sobre a redução da jornada de trabalho no legislativo brasileiro.
Durante entrevista concedida ao portal Metrópoles, o parlamentar detalhou o cenário atual das negociações e as resistências enfrentadas no plenário. “Eu sinto, na Câmara, uma vontade política, mesmo com a oposição dos bolsonaristas. E isso é natural, afinal de contas, eles são contra o povo brasileiro. Tanto é que, no seu governo (Jair Bolsonaro), fizeram a reforma da Previdência para retirar direitos, e não dar direitos ao trabalhador”, afirmou Alencar.
Alencar Santana critica gestão anterior sobre a PEC da escala 6×1
Ao avaliar o histórico da proposta, o presidente do colegiado traçou um paralelo com a legislatura passada, apontando diferenças na condução do tema. De acordo com o deputado petista, “o governo anterior não tinha compromisso nenhum com a PEC e não tinha vontade de analisar”. Essa mudança de postura na atual composição da Casa, segundo ele, é o fator determinante que permite a abertura das discussões formais sobre a alteração nas regras trabalhistas vigentes.
Outro ponto abordado pelo parlamentar diz respeito às alegações do setor empresarial sobre possíveis impactos econômicos gerados pela mudança na carga horária. Santana rejeita a ideia de que os empregadores precisem receber algum tipo de contrapartida financeira ou fiscal do Estado para viabilizar a implementação do novo modelo, que prevê mais tempo livre para os profissionais ao longo da semana.
Deputado questiona compensação a empresas pelo fim da escala 6×1
Para fundamentar sua posição contrária aos subsídios patronais, o deputado argumenta que as empresas possuem meios próprios para se adequarem à nova realidade trabalhista. “Compensar por quê? Só por que o trabalhador terá durante a semana mais 4 horas de descanso? Só por que terá também durante a semana um dia mais de descanso? Será que os setores não têm capacidade e condições de se reorganizarem, se readaptarem e poderem dar esse benefício ao seu trabalhador?”, questionou.



