Quase 20% dos lares são de brasileiros que vivem sozinhos, revela pesquisa do IBGE
Dados da Pnad Contínua mostram que envelhecimento e mudanças de comportamento impulsionam o crescimento de domicílios unipessoais no país.
O número de brasileiros que vivem sozinhos registrou um crescimento expressivo na última década, conforme aponta a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. O levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que 19,7% das residências no país eram ocupadas por apenas uma pessoa no ano de 2025. Esse índice representa um acréscimo de 7,5 pontos percentuais em comparação aos dados de 2012, o que equivale a um salto de 8,2 milhões de novos lares com esse perfil. Apesar dessa alta, a maior parte da população, cerca de 80,9%, ainda divide o teto com familiares ou parceiros.
Os especialistas do instituto estatístico explicam que essa transição demográfica possui raízes em dois fatores principais: o avanço da idade média da população e as transformações nos padrões de comportamento da sociedade. A análise detalhada por gênero demonstra que os homens representam a maioria nesse formato de moradia, somando 54,9% do total, enquanto as mulheres configuram 45,1%. Quando o recorte é feito por faixa etária, o grupo que mais adota a residência individual está entre os 30 e 59 anos, seguido de perto pela parcela de indivíduos com 60 anos ou mais, que já compõe 40% desse contingente.
Pesquisa do IBGE explica perfil de quem decide morar sozinho
A dinâmica familiar na terceira idade é um dos motores dessa estatística. O pesquisador do IBGE responsável pela apresentação dos dados, William Kratochwill, detalha o cenário dos idosos. “Em boa parte dos domicílios unipessoais vivem pessoas com mais de 60 anos. Nesta fase, os filhos já saíram de casa e muitos ficaram viúvos”, afirma o especialista. Ele também destaca a relação direta entre a longevidade regional e o formato das residências. “Não por acaso, nos Estados onde vivem mais idosos, como Rio de Janeiro, essa porcentagem é maior.”, complementa o pesquisador sobre a distribuição geográfica do fenômeno.
As estatísticas revelam contrastes significativos quando se cruza gênero e idade. Entre o público masculino que reside sem companhia, 56,4% estão concentrados na faixa que vai dos 30 aos 59 anos. Por outro lado, o perfil feminino apresenta uma configuração distinta, com a maioria absoluta (55%) concentrada no grupo de mulheres que já ultrapassaram a marca dos 60 anos de idade. Essa disparidade reflete trajetórias de vida diferentes entre os sexos ao longo das décadas, influenciando diretamente a composição dos domicílios unipessoais no território nacional.
Especialista detalha diferença entre homens e mulheres que vivem sozinhos
O demógrafo e economista José Eustáquio Alves Diniz esclarece as razões por trás dessa divisão etária e de gênero. “Isso acontece porque até os 59 anos tem muito mais homem morando sozinho: eles viajam, mudam de emprego, se separam e vão morar sozinhos”, pontua o especialista. Em contrapartida, a realidade feminina na terceira idade segue outra lógica demográfica. “Porém, entre a população com mais de 60 anos, a maioria é de mulher vivendo sozinha. As mulheres costumam se casar mais cedo que os homens e vivem em média sete anos a mais do que eles.”, conclui Diniz, justificando a predominância feminina nas faixas etárias mais avançadas.



