Brasil

Lula anuncia plano para pagar universitários e manda recado direto ao mercado financeiro

Presidente manifestou preocupação com a desistência de alunos no prouni e defendeu investimentos de 18 bilhões de reais na educação pública

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu, nesta quarta-feira, a ampliação do programa Pé-de-Meia para contemplar estudantes do ensino superior. Durante uma cerimônia em Fortaleza, no Ceará, o chefe do Executivo demonstrou inquietação com os dados de permanência acadêmica no país. O foco da proposta é reduzir os índices de desistência entre aqueles que ingressam nas faculdades por meio de políticas de incentivo governamental, garantindo que o suporte financeiro auxilie na conclusão da graduação.

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A análise presidencial baseou-se nos números recentes do Programa Universidade para Todos. Segundo o mandatário, existe um abismo entre o volume de interessados e os que efetivamente permanecem nas salas de aula. “Nós tivemos quase 3,7 milhões que se inscreveram no Prouni e só 1 milhão e pouco estão estudando. Significa que tem muita gente que se inscreve e para. Então, nós precisamos saber por que as pessoas se inscreveram e pararam. Porque quem sabe a gente tem de criar um Pé-de-Meia para que ninguém desista da universidade até se formar”, afirmou Lula.

Investimentos federais e combate à evasão acadêmica

A declaração ocorreu no evento de inauguração do alojamento estudantil do novo campus do Instituto Tecnológico de Aeronáutica no Ceará. A data também celebrou o segundo ano de vigência do Pé-de-Meia original, que atualmente atende alunos da rede pública de ensino médio. O governo federal destinou um montante de 18,6 bilhões de reais para a manutenção dessa poupança estudantil, que visa criar uma reserva financeira para jovens de baixa renda, estimulando a conclusão da educação básica.

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Em seu discurso, o presidente utilizou um tom crítico ao mencionar setores do mercado financeiro e a recepção das políticas sociais pela elite econômica. Ele ironizou a resistência de instituições bancárias em relação aos gastos públicos com programas de transferência de renda voltados ao setor educacional. “A Faria Lima, lá em São Paulo, e as avenidas dos banqueiros devem estar putos comigo”, comentou o presidente, questionando a lógica de priorizar o rendimento bancário em detrimento do suporte aos filhos de famílias pobres nas escolas.

Mudanças no ministério da educação e metas sociais

O evento marcou ainda a despedida de Camilo Santana do Ministério da Educação, que será sucedido por Leonardo Barchini, atual secretário-executivo da pasta. Lula aproveitou a ocasião para elogiar o desempenho de Santana e reforçar sua defesa por uma política de redistribuição de renda mais incisiva. O presidente reiterou que o investimento em educação deve ser visto como uma estratégia de desenvolvimento nacional, mantendo o posicionamento de que a assistência financeira é o caminho para evitar que dificuldades econômicas forcem os estudantes a abandonar os estudos precocemente.

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