Política

Ex-ministro Silvio Almeida quebra silêncio e contesta denúncia de importunação sexual no STF

Em manifestação nas redes sociais, o ex-ministro dos Direitos Humanos classificou as acusações como mentirosas e sugeriu motivações políticas no caso.

O ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, manifestou-se publicamente pela primeira vez após a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal. Em vídeo divulgado em suas redes sociais, Almeida declarou ser um “homem inocente” e negou as acusações de importunação sexual contra a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. O ex-integrante do governo federal afirmou que as alegações são inverídicas e sugeriu que pautas legítimas foram distorcidas para finalidades políticas. O processo tramita sob sigilo na Suprema Corte, tendo como relator o ministro André Mendonça, após a peça acusatória ter sido assinada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, no início de março.

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Durante o pronunciamento, Almeida justificou o período em que permaneceu calado como uma postura de responsabilidade e respeito ao rito jurídico. “Eu fiquei em silêncio até aqui por responsabilidade, por respeito à dor da minha família, por respeito à lei, uma vez que a investigação corre em sigilo, e eu respeito isso. E porque eu sabia também que qualquer palavra dita fora de hora seria usada para intensificar a violência a que estamos sendo submetidos”, afirmou o ex-ministro. Ele ressaltou que sua defesa técnica será apresentada formalmente perante a Justiça, local onde pretende demonstrar que a situação foi utilizada para interromper sua trajetória na vida pública.

Desdobramentos jurídicos e defesa no Supremo Tribunal Federal

O ex-ministro também questionou a celeridade de sua saída do cargo e a ausência de um espaço prévio para o contraditório antes da decisão do Executivo. Segundo Almeida, a imagem de influência que lhe foi atribuída não condiz com a realidade dos fatos, argumentando que “um homem poderoso, convenhamos, não é demitido em 24 horas e sem direito à defesa”. Ele criticou a forma como a demissão ocorreu, baseada em informações que classificou como desprovidas de critérios rigorosos. O ex-ministro defendeu que o episódio se apoiou em estereótipos sociais que associam homens negros a comportamentos agressivos, facilitando a aceitação de narrativas negativas pela opinião pública.

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As investigações ganharam corpo em 2024, após a organização Me Too Brasil confirmar o recebimento de relatos de mulheres contra o então ministro. Em depoimento prestado à Polícia Federal na condição de vítima, Anielle Franco detalhou episódios de desrespeito que teriam começado ainda no período de transição governamental, no final de 2022. O relato mais específico descreve uma reunião oficial em maio de 2023, na qual Almeida teria tido uma conduta inadequada ao sentar-se ao lado da ministra. O inquérito da Polícia Federal resultou no indiciamento do ex-ministro por importunação sexual em novembro do ano passado, consolidando as bases para a denúncia da PGR.

Contexto das investigações e depoimentos colhidos pela Polícia Federal

A defesa de Silvio Almeida sustenta que haveria interesses eleitorais por trás da manutenção das acusações. Sem mencionar nomes específicos, ele alertou para movimentações de adversários que buscariam construir plataformas políticas sobre o que chamou de mentiras. “Mas fiquemos atentos porque há movimentações muito previsíveis. Há quem não tenha nenhuma realização para mostrar, nenhuma proposta para oferecer e que, por isso, chega ao ponto de incriminar uma pessoa inocente apenas para eliminar aquele que considera um adversário ou para erguer sobre uma mentira uma bandeira eleitoral”, pontuou. O caso segue agora para a fase de análise das provas e depoimentos no âmbito do Judiciário.

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