O preocupante aumento do ódio no Brasil: dados revelam salto de 150% em casos contra a comunidade judaica
Levantamento da Confederação Israelita do Brasil destaca o impacto de conflitos internacionais e propostas legislativas para enfrentar a discriminação.

A Confederação Israelita do Brasil (Conib) divulgou recentemente dados que indicam um crescimento de 150% nas ocorrências de antissemitismo no país desde o ano de 2022. O relatório destaca que, embora tenha ocorrido uma redução em comparação ao pico registrado em 2024, os índices atuais permanecem elevados dentro da série histórica monitorada pela entidade. O cenário motivou novas discussões no campo político, incluindo uma proposta da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) para estabelecer parâmetros que identifiquem tais condutas e orientem a criação de políticas públicas específicas para o enfrentamento dessa forma de preconceito.
O antissemitismo é definido como a discriminação, o ódio ou o preconceito direcionado a indivíduos de origem judaica, seja por motivações étnicas, religiosas ou culturais. Historicamente, essa visão resultou em perseguições sistemáticas e atos de violência, fundamentados na ideia de que essa população representaria uma ameaça coletiva. De acordo com Anelise Fróes, coordenadora de enfrentamento ao antissemitismo da Conib, a agressividade desse discurso se adapta aos diferentes contextos históricos. Ela afirma que “no Brasil, o antissemitismo contemporâneo é muito diferente do antissemitismo estatal dos anos 1930 e 1940, mas ainda está baseado no ódio irracional e incapacidade de convívio e aceitação de qualquer diferença”.
Impacto dos conflitos internacionais no cenário brasileiro
Especialistas apontam que a instabilidade geopolítica global exerce influência direta no aumento das ocorrências em território nacional. O acirramento das tensões entre Israel e Palestina, intensificado a partir de outubro de 2023, além de atritos recentes envolvendo o Irã, são citados como catalisadores do sentimento hostil. Segundo a análise da Conib, discussões sobre o direito de existência do Estado de Israel acabam gerando uma responsabilização indevida de indivíduos judeus ao redor do mundo pelas decisões políticas de governantes estrangeiros.
Anelise Fróes reforça que a culpabilização coletiva é um equívoco que atinge cidadãos brasileiros em diversas capitais. Em sua avaliação, “nenhum povo do mundo pode responder pelas ações dos seus governantes. As pessoas que moram em São Paulo, em Porto Alegre, os judeus e judias de Belo Horizonte, não podem ser responsabilizados, culpabilizados e cobrados por ações de um governo”. A coordenadora ressalta que a disseminação desse tipo de intolerância não se limita a um único grupo, podendo afetar a estrutura democrática do país como um todo ao validar comportamentos excludentes.
Preservação da democracia e proteção de minorias
O monitoramento contínuo dessas ocorrências serve como um alerta para as instituições brasileiras sobre a necessidade de mecanismos de proteção social. A representante da Conib enfatiza que a tolerância a discursos de ódio coloca em risco a segurança de diversas minorias e fragiliza as instituições republicanas. Segundo Fróes, “o ponto mais importante é que as ondas de ódio que começam contra judeus não ficam restritas a eles”. O debate atual busca, portanto, fortalecer o entendimento sobre o tema para evitar que o crescimento estatístico se converta em uma aceitação social de práticas discriminatórias.



