Brasil

IBGE aponta que medo da violência afasta 1,5 milhão de alunos das escolas

Levantamento Pense 2024 mostra dados sobre evasão por segurança e casos de violência sexual entre estudantes

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense) 2024, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com os Ministérios da Saúde e da Educação, trouxe à tona um cenário preocupante sobre a relação entre segurança pública e educação. Os dados coletados indicam que mais de 1,5 milhão de estudantes brasileiros deixaram de comparecer às instituições de ensino por receio da violência presente no trajeto entre suas residências e a sala de aula. O levantamento busca mapear as condições de saúde e o ambiente social dos escolares, revelando como fatores externos de insegurança estão criando barreiras diretas ao acesso educacional no país.

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O estudo detalha que 12,5% dos alunos com idades entre 13 e 17 anos relataram ter faltado às atividades escolares nos 30 dias anteriores à entrevista devido à sensação de insegurança no percurso. A análise dos números expõe uma disparidade significativa entre os sistemas de ensino, evidenciando que o problema afeta de maneira mais aguda a rede pública. Enquanto nas escolas particulares o índice de ausência por esse motivo foi de 5,4%, na rede pública o percentual alcançou 13,8%, o que representa mais que o dobro do registrado no setor privado, demonstrando a vulnerabilidade dos estudantes que dependem do ensino gratuito.

Dados sobre violência sexual

Além das questões de mobilidade e segurança urbana, a pesquisa investigou a exposição dos adolescentes a situações de violência sexual. Em 2024, 18,5% dos estudantes afirmaram ter sofrido algum tipo de violação dessa natureza ao longo da vida, incluindo toques indesejados ou exposição corporal sem consentimento. Ao comparar com os dados de 2019, nota-se um aumento de 3,8 pontos percentuais. A incidência é expressivamente maior entre as meninas, atingindo 26% das entrevistadas, enquanto entre os meninos o índice ficou em 10,9%, reforçando a desigualdade de gênero na vitimização dentro dessa faixa etária.

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O IBGE também apresentou estatísticas sobre episódios mais graves, apontando que cerca de 1,1 milhão de adolescentes relataram ter sido submetidos a relação sexual forçada. Um dado relevante trazido pelo levantamento diz respeito à idade das vítimas no momento do ocorrido: a maioria tinha 13 anos ou menos quando sofreu a violência. Esse recorte etário evidencia a precocidade das violações enfrentadas por uma parcela considerável da juventude brasileira, exigindo atenção das autoridades competentes para a proteção integral de crianças e adolescentes em seus diversos ambientes de convívio.

Cenário do bullying escolar

No que tange à convivência interna nas instituições, o bullying permanece como um desafio disseminado. A pesquisa mostrou que 27,2% dos estudantes sofreram duas ou mais agressões nos 30 dias anteriores ao levantamento, um crescimento em relação aos 23% registrados na edição de 2019. As meninas figuram como as principais vítimas de humilhações frequentes, com 30,1% dos relatos, contra 24,3% dos meninos. Por outro lado, ao analisar o perfil dos autores das agressões, os meninos predominam, com 16,5% admitindo a prática, frente a 10,9% das meninas, desenhando a dinâmica comportamental predominante nas escolas brasileiras.

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