Saúde & Bem-estar

Estudo aponta que geração Z considera início da velhice aos 62 anos

Levantamento com 4 mil pessoas mostra divergências entre gerações sobre envelhecimento, declínio cognitivo e uso de tecnologia

Uma pesquisa recente realizada no Reino Unido com 4.000 participantes trouxe à tona as diferentes percepções sobre o envelhecimento entre as gerações. O levantamento, conduzido pela organização Centre for Ageing Better, revelou que para a geração Z, composta por jovens de 18 a 29 anos, a velhice tem início aos 62 anos. Esse dado contrasta com a visão dos baby boomers, nascidos entre 1946 e 1964, que acreditam que essa fase da vida começa apenas aos 67 anos. O estudo busca compreender como o etarismo impacta as relações sociais e a autoimagem dos indivíduos em diferentes estágios da vida.

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Além de definir um marco cronológico, os jovens demonstraram pessimismo em relação ao futuro e crenças específicas sobre a perda de habilidades. Para os entrevistados da geração Z, a dificuldade de adaptação a novas tecnologias começa aos 59 anos, enquanto o declínio cognitivo teria início aos 62. Esteticamente, eles acreditam que aos 56 anos as pessoas deixam de se vestir bem seguindo as tendências da moda. Os dados apontam ainda que 27% desses jovens não acreditam que terão boa saúde na velhice e um quarto deles não espera ter familiares ou amigos por perto nessa etapa.

Percepção sobre tecnologia e futuro

O estudo, denominado Age Without Limits, serve como base para uma campanha homônima que visa combater preconceitos etários na sociedade. A metodologia envolveu entrevistas online realizadas entre 16 e 20 de janeiro de 2026, abrangendo diferentes faixas etárias: 733 representantes da geração Z, 1.032 millennials, 1.038 da geração X, 1.078 boomers e 120 da geração silenciosa. O objetivo foi mapear como cada grupo enxerga o processo de envelhecer e desmistificar estereótipos prejudiciais que afetam a convivência intergeracional e a saúde mental dos mais jovens.

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A análise dos resultados sugere que a exposição precoce a padrões de beleza e comportamento influencia negativamente a percepção dos mais jovens. Katherine Crawshaw, colíder da campanha, comentou sobre o fenômeno observado na pesquisa. “O que frequentemente vemos em relação às crenças sobre idade e envelhecimento é uma preocupação real em ficar mais velho, em atingir certa idade, desde bem cedo na vida adulta. E quando chegamos a esses marcos, para muitos os medos e preocupações diminuem um pouco com a realidade. Ser bombardeado com mensagens etaristas ao longo da vida, com crianças de até 10 anos querendo comprar maquiagem antienvelhecimento , por exemplo, dá às pessoas uma visão excessivamente pessimista do que é envelhecer”, afirmou a especialista.

Comparativo com dados biológicos

Paralelamente às percepções sociais, estudos biológicos oferecem outra perspectiva sobre a maturação humana. Uma pesquisa publicada na revista científica Nature Communications em novembro de 2025, baseada em exames cerebrais de mais de 3.800 pessoas, indicou que o cérebro leva quase três décadas para atingir sua configuração adulta completa. A estabilidade da inteligência e personalidade ocorre a partir dos 30 anos, com o declínio biológico iniciando-se, em média, aos 66 anos. Esse dado científico aproxima-se mais da percepção dos boomers do que das estimativas feitas pelos jovens da geração Z.

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