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Ex-diretor detona atual fase do SBT e faz alerta sobre futuro da emissora

Profissional que trabalhou com Silvio Santos avalia gestão de Daniela Beyruti e aponta erros na tentativa de resgatar formatos do passado

O diretor de televisão Homero Salles, reconhecido por sua extensa parceria profissional com o apresentador Gugu Liberato, manifestou-se publicamente sobre as diretrizes atuais adotadas pelo SBT. Em um texto divulgado no último sábado, intitulado “O tal do DNA do SBT…”, o profissional analisou o desempenho da emissora paulista frente aos concorrentes. Salles apontou que a estratégia de tentar recuperar uma identidade histórica da empresa não tem gerado os resultados esperados na audiência. Segundo sua avaliação, a Record consolidou-se na vice-liderança do setor, enquanto a Band apresenta crescimento na disputa pela preferência do público, cenário que se intensificou após o falecimento de Silvio Santos.

Ao abordar a administração de Daniela Beyruti, filha do fundador da emissora, Homero Salles reconheceu as qualidades da executiva, afirmando que “não poderia ser melhor essa escolha” para o comando. No entanto, ele ponderou que apenas boas intenções não são suficientes para reverter o quadro atual. O ex-diretor criticou a insistência na repetição de quadros e programas antigos como forma de buscar a essência do canal. Em suas palavras, “Daniela é inteligente, preparada, dedicada, trabalhadora e tem as melhores intenções… mas não basta”. Para ele, a interpretação do que constitui a marca da emissora está equivocada, ressaltando que “O DNA não é isso, longe disso”.

Críticas à programação e identidade visual

A análise prossegue com observações sobre a descaracterização da emissora, que, segundo Salles, sempre teve na inovação e na irreverência seus pontos fortes. O profissional destacou que a organização da grade de horários e a comunicação visual perderam a eficácia que outrora atraía os telespectadores. Ele foi enfático ao descrever a situação atual da programação: “SBT infelizmente não tem mais aquela identidade… suas chamadas não convencem e não seduzem… sua grade está uma colcha de retalhos”. A falta de ousadia e a ausência de novidades significativas são apontadas como fatores que prejudicam a competitividade do canal no mercado televisivo.

Para fundamentar seus argumentos, o diretor relembrou um ensinamento transmitido diretamente por Silvio Santos, que definia a vocação popular da empresa. Salles citou a frase do comunicador: “Homero, nós somos pipoqueiros e não devemos ter vergonha de vender pipoca”. Com essa recordação, ele defendeu que a televisão precisa compreender e atender seu público-alvo com precisão, algo que o fundador fazia com êxito. O ex-diretor argumentou que, mesmo quando Silvio Santos realizava alterações constantes na grade, existia uma lógica de programação funcional que mantinha a audiência engajada, algo que ele considera ter se perdido na gestão atual.

Cenário competitivo na audiência dominical

A preocupação de Homero Salles estende-se especificamente à programação de domingo, dia em que o SBT ainda consegue manter a vice-liderança de audiência. O diretor alertou para as mudanças iminentes no cenário televisivo a partir de março, citando a estreia de Eliana na Globo e o lançamento de um novo programa de auditório com Tom Cavalcante na Record. Diante dessa nova configuração da concorrência, ele avalia que a emissora precisa reencontrar sua capacidade de inovar para não perder seu posto. A manutenção de fórmulas antigas, na visão do profissional, pode não ser suficiente para enfrentar as novas atrações das redes rivais.

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