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Corte de Roma conclui julgamento sobre extradição de Carla Zambelli

Decisão será comunicada em breve, mas defesa e acusação confirmam que vão recorrer à última instância independente do resultado

A Corte de Apelação de Roma finalizou nesta quinta-feira a análise do mérito referente ao pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli. A sentença oficial deverá ser comunicada pelas autoridades judiciárias italianas nos próximos dias, marcando o encerramento desta etapa do processo no país europeu. No entanto, o veredito desta fase não possui caráter definitivo, uma vez que a legislação local permite a interposição de novos recursos em instâncias superiores, o que deve prolongar o trâmite legal antes de uma resolução final sobre o retorno da ex-parlamentar ao Brasil.

Representantes da defesa de Zambelli e do Ministério Público da Itália já indicaram que pretendem recorrer à Corte de Cassação, que atua como a última instância da justiça no país, independentemente do resultado que será divulgado. Além da questão central da extradição, existe um recurso paralelo em andamento que questiona a imparcialidade dos magistrados responsáveis pelo caso. O pedido para a substituição do colegiado atual foi negado recentemente, mas o tema deverá ser encaminhado para análise da Corte de Cassação dentro de um prazo estimado de três meses.

Alegações da defesa e posição do Brasil

A audiência de encerramento ocorreu a portas fechadas e durou algumas horas, contando com a presença dos advogados e representantes legais. Angelo Sammarco, advogado de defesa, questionou as condições estruturais da Penitenciária Colmeia, no Brasil, alegando ausência de informações suficientes que garantam o tratamento de saúde necessário à ex-deputada. A defesa argumentou também que o julgamento original realizado em território brasileiro teria ferido direitos fundamentais. O marido da ex-parlamentar não pôde entrar na sala e aguardou o desfecho do lado de fora do tribunal.

Em contrapartida, o governo brasileiro sustentou a legalidade e a regularidade de todo o processo original. Alessandro Gentiloni, representante da Advocacia-Geral da União (AGU), refutou as alegações de que haveria motivação política no pedido de extradição. Durante sua manifestação perante a corte, Gentiloni enfatizou o cumprimento das normas legais. “Todos os padrões internacionais e brasileiros do devido processo legal foram respeitados. Os processos foram conduzidos com equilíbrio”, afirmou o representante, defendendo a legitimidade da solicitação brasileira.

Detenção preventiva e manobras jurídicas

Carla Zambelli permanece detida em Roma desde julho de 2025, ocupando uma cela na Penitenciária Feminina de Rebibbia há quase seis meses. A manutenção da custódia foi determinada pela justiça italiana após a identificação de risco de fuga, o que resultou na negativa de pedidos anteriores de liberdade provisória. A defesa tem utilizado diversas estratégias jurídicas que adiaram o desfecho do caso, somando um total de dez audiências, incluindo tentativas de alteração de custódia e questionamentos sobre a composição da corte, estendendo o processo até a presente data.

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