Coreia do Sul indica que Kim Jong-un pode nomear filha como sucessora
Serviço de inteligência sul-coreano avalia movimentos recentes e prevê anúncio oficial durante congresso do partido no fim de fevereiro
O líder norte-coreano Kim Jong-un sinaliza movimentos concretos para estabelecer sua linha sucessória no comando do país asiático. Informações divulgadas nesta quinta-feira, dia 12, pelos serviços de inteligência da Coreia do Sul, indicam que a filha do dirigente, Kim Ju Ae, pode ser oficializada em breve como a futura governante da nação. A dinastia da família Kim comanda o país desde a sua fundação em 1948, atravessando três gerações de poder centralizado. O parlamentar sul-coreano Lee Seong-kweun transmitiu os dados à imprensa após receber um briefing oficial das autoridades de segurança. Segundo o legislador: “O Serviço Nacional de Inteligência (NIS) da Coreia do Sul acredita que Kim Ju Ae está prestes a ser designada como herdeira”.
A avaliação das autoridades de Seul fundamenta-se em eventos recentes carregados de simbolismo político dentro do regime vizinho. Um dos principais indícios apontados foi a visita realizada em janeiro ao Palácio do Sol de Kumsusan, local onde estão preservados os corpos de Kim Il-sung, fundador do Estado, e de Kim Jong-il, que faleceu em 2011. Na cerimônia solene, a jovem prestou homenagens aos antepassados posicionada ao lado do pai, um gesto interpretado por especialistas como uma validação de sua legitimidade perante a linhagem governante. A inteligência sul-coreana informou que monitorará se a adolescente terá participação ativa na agenda política nas próximas semanas.
Possível nomeação em congresso partidário
O governo da Coreia do Norte costuma utilizar o encontro do partido governista, agendado para ocorrer no fim de fevereiro, para divulgar diretrizes nacionais, mudanças na cúpula administrativa e estratégias sobre política externa e o programa nuclear. Existe a expectativa, por parte dos observadores internacionais, de que Kim Ju Ae compareça ao evento e possa assumir um cargo formal na hierarquia do regime. Analistas políticos avaliam a possibilidade de ela ser nomeada primeira secretária do Comitê Central. Caso essa promoção se concretize, a filha de Kim Jong-un passaria a ocupar a posição de número dois na estrutura de poder norte-coreana, consolidando seu status político.
Detalhes sobre a vida pessoal da provável sucessora permanecem restritos, uma vez que Pyongyang nunca divulgou oficialmente seu ano de nascimento exato. Especialistas estimam que ela tenha nascido entre 2012 e 2013, entrando recentemente na adolescência. Sua primeira aparição pública ocorreu apenas em 2022, durante o lançamento de um míssil balístico intercontinental ao lado do pai. Desde então, a mídia estatal norte-coreana passou a utilizar termos reverentes para se referir a ela, como “a criança amada” e “grande guia”. Essas nomenclaturas específicas são tradicionalmente reservadas apenas aos líderes supremos e seus sucessores diretos na propaganda estatal.
Simbolismo e aparições públicas recentes
A construção da imagem pública de Kim Ju Ae tem seguido padrões estéticos e comportamentais semelhantes aos do pai, incluindo o uso frequente de casacos de couro e óculos escuros em eventos oficiais. Em 2024, o NIS já havia reconhecido a jovem como a provável herdeira do regime pela primeira vez. Imagens oficiais das festividades do último Ano-Novo em Pyongyang mostraram interações afetuosas entre pai e filha, com a adolescente tocando o rosto do líder e beijando sua bochecha. A demonstração pública de carinho é considerada atípica para os padrões rígidos do país e reforça a narrativa de continuidade dinástica preparada pelo atual comando norte-coreano.



