Brasil vive explosão de deepfakes e se torna o maior alvo digital da América Latina
Dados divulgados no Dia da Internet Segura revelam 315 bilhões de tentativas de ataques e preocupação com uso de IA nas eleições de 2026.
O Dia da Internet Segura, celebrado neste 10 de fevereiro de 2026, traz à tona indicadores que evidenciam a vulnerabilidade do ambiente virtual brasileiro. O país consolidou-se na liderança de ataques digitais na América Latina, enfrentando desafios complexos relacionados à desinformação e ao uso indevido de inteligência artificial generativa. A iniciativa global, criada para promover a conscientização sobre riscos online, ganha peso adicional no Brasil devido à proximidade do ano eleitoral e ao avanço tecnológico que permite a criação de conteúdos falsos cada vez mais sofisticados, impactando a confiança institucional e a segurança financeira dos usuários.
Relatórios recentes, como o Identity Fraud Report 2025–2026, apontam que os ataques envolvendo deepfakes cresceram 126% no território nacional durante o ano de 2025. O Brasil concentra 39% de todas as detecções desse tipo de fraude na América Latina, afetando prioritariamente bancos, fintechs e plataformas de apostas online. A tecnologia atual permite forjar rostos, vozes e documentos com alto grau de realismo, o que dificulta a identificação de fraudes. Lucas Monteiro, especialista da Keyrus, analisa o cenário atual: “A evolução da inteligência artificial possibilitou a criação de conteúdos falsos indistinguíveis da realidade. Deepfakes não são mais apenas uma ameaça teórica”.
Volume de ataques e contexto eleitoral
Além das fraudes de identidade, o volume absoluto de investidas cibernéticas coloca o país em destaque nos rankings globais de insegurança digital. No primeiro semestre, foram registradas 315 bilhões de tentativas de ataques, o equivalente a 84% de todas as ocorrências na América Latina. Segundo dados da DeepStrike, o Brasil é o sétimo país mais atacado do mundo em 2025, posicionado atrás apenas de nações como Estados Unidos, Ucrânia e Israel. A rápida expansão da economia digital e a presença de vulnerabilidades em sistemas legados são apontados como fatores que contribuem para essa alta exposição a malwares e outras ameaças.
A segurança digital torna-se um tema central com a aproximação das eleições de outubro de 2026, quando mais de 155 milhões de brasileiros devem votar. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou a Resolução n.º 23.732/2024, que proíbe o uso de deepfakes em campanhas eleitorais, visando combater a manipulação de eleitores através de conteúdos sintéticos. A desinformação, potencializada pela IA, é uma preocupação constante para as autoridades e especialistas. Kenneth Corrêa, professor da FGV, ressalta a onipresença da rede na vida cotidiana: “Hoje falamos muito sobre internet segura porque a internet se tornou uma necessidade básica”.
Medidas de proteção e prevenção de fraudes
Diante do aumento da sofisticação dos crimes digitais, especialistas reforçam a importância de adotar hábitos de segurança robustos, como a autenticação de dois fatores e o uso de senhas fortes. A inteligência artificial tem sido utilizada para tornar golpes virtuais mais convincentes, simulando comunicações de empresas e órgãos públicos com precisão. Fernando Corrêa, CEO da Security First, alerta sobre o uso dessas tecnologias para fins ilícitos: “Ferramentas como ChatGPT e até versões voltadas ao crime, como o FraudGPT, são usadas para criar comunicações fraudulentas altamente realistas”. Manter sistemas atualizados e limitar a exposição de dados pessoais são práticas essenciais para reduzir riscos.



