Perícia da PF sobre saúde de Bolsonaro será enviada ao STF em breve
Documento avalia condições de saúde do ex-presidente e embasará decisão sobre pedido de prisão domiciliar feito pela defesa
A Polícia Federal prepara-se para encaminhar ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, o laudo pericial conclusivo sobre as condições de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro. A expectativa é que o documento seja entregue ainda nesta semana, finalizando uma etapa crucial para a análise do pedido da defesa, que solicita a transferência do político para o regime domiciliar. A junta médica responsável pela avaliação encontra-se na fase final de elaboração do parecer técnico, que servirá como base fundamental para a decisão do magistrado sobre a manutenção da custódia na unidade prisional ou a concessão do benefício pleiteado pelos advogados.
A análise está sendo conduzida por três peritos médicos da corporação, que realizaram o exame presencial em Bolsonaro no dia 20. O prazo inicial estipulado por Moraes era de dez dias, contudo, a entrega foi postergada devido à necessidade de acesso a prontuários complementares que não estavam disponíveis imediatamente. A equipe aguardava documentos referentes aos procedimentos cirúrgicos mais recentes aos quais o ex-presidente foi submetido, bem como registros do atendimento hospitalar recebido após uma queda sofrida nas dependências da carceragem da Polícia Federal em Brasília. Com a documentação completa agora em mãos, os peritos trabalham nas respostas aos quesitos formulados pela defesa.
Detalhes da perícia médica
A movimentação em torno do estado de saúde do ex-mandatário intensificou-se recentemente com ações de familiares e aliados políticos. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro realizou reuniões com Alexandre de Moraes e com o ministro Gilmar Mendes para reforçar o apelo pela prisão domiciliar. Em resposta às solicitações e visando garantir estrutura adequada, foi determinada a transferência de Bolsonaro da sede da PF para a unidade conhecida como Papudinha. No local, ele ocupa uma cela individual de 64 metros quadrados, isolado dos demais detentos, medida que visa assegurar sua integridade física e permitir o acompanhamento necessário.
O quadro clínico do ex-presidente inclui sequelas do atentado sofrido durante a campanha eleitoral de 2018, além de diagnóstico de apneia do sono. Informações indicam ainda que ele utiliza fármacos para tratar um quadro emocional delicado. A defesa argumenta que, por ser idoso e apresentar uma saúde fragilizada, o ambiente carcerário não seria adequado para sua manutenção. Atualmente, Bolsonaro dispõe de uma equipe de saúde disponível 24 horas na unidade prisional, além de acesso a banho de sol e espaço para a realização de atividades físicas, conforme os protocolos estabelecidos para sua custódia.
Monitoramento na unidade prisional
Um relatório elaborado pela Polícia Militar do Distrito Federal, enviado ao Supremo Tribunal Federal na semana passada, detalha a rotina de cuidados médicos e exercícios físicos realizados na prisão. O documento registra que o ex-presidente passa por pelo menos três avaliações médicas diárias, conduzidas por profissionais da Secretaria de Saúde do DF, além de realizar sessões de fisioterapia e caminhadas regulares. A Polícia Federal não apontou a ocorrência de nenhum episódio grave de saúde durante o período de monitoramento, ressaltando que a maior parte das visitas médicas registradas destinou-se a exames de rotina e acompanhamento padrão do custodiado.



