Trump ameaça impor tarifas e gera onda de protestos na Groenlândia e Dinamarca
Manifestantes reagem a declarações do presidente dos EUA sobre anexação do território ártico; senadora americana afirma que maioria rejeita a ideia
Milhares de cidadãos responderam às convocações de organizações não governamentais e ocuparam as ruas da Dinamarca e da Groenlândia neste sábado (17) para manifestar oposição às ambições territoriais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os atos ocorrem um dia após o líder republicano ameaçar impor tarifas comerciais aos países que não apoiarem seu plano de assumir o controle do território autônomo no Ártico. As principais concentrações foram registradas em Copenhague e na capital groenlandesa, Nuuk, mas também houve mobilização em cidades dinamarquesas como Aarhus, Aalborg e Odense, demonstrando a amplitude da insatisfação popular com a postura diplomática norte-americana.
Sob temperaturas próximas a 0°C na praça da prefeitura de Copenhague, os manifestantes empunharam bandeiras e entoaram o nome da ilha no idioma local, “Kalaallit Nunaat”. Cartazes exibiam frases em inglês como “Make America Go Away”, ironizando o slogan de campanha de Trump. A motivação dos participantes reflete a defesa da soberania local, conforme relatou uma das presentes, Kirsten Hjoernholm, de 52 anos: “É importante para mim participar, porque trata-se fundamentalmente do direito do povo groenlandês à autodeterminação. Não podemos ser intimidados por um Estado, por um aliado. É uma questão de direito internacional”.
Mobilização social e resposta diplomática
A organização dos protestos foi liderada por grupos como a Organização Nacional dos Groelandeses na Dinamarca (Uagut) e o movimento “Não toquem na Groenlândia”, que aproveitaram a visita de uma delegação bipartidária do Congresso americano à capital dinamarquesa para amplificar suas reivindicações. A senadora republicana Lisa Murkowski, presente na delegação, buscou apaziguar os ânimos após reunir-se com a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmando que “75% dos americanos” são contrários à ideia de anexação e que “A Groenlândia deve ser considerada nossa aliada”. A entidade Uagut reforçou em comunicado que “O objetivo é enviar uma mensagem clara e unânime em favor do respeito à democracia e aos direitos humanos fundamentais na Groenlândia”.
A tensão diplomática escalou após Trump reiterar, em uma mesa-redonda na Casa Branca na sexta-feira (16), que a anexação da ilha é uma questão de segurança nacional para conter a influência da Rússia e da China. O presidente foi direto em sua ameaça econômica: “Talvez eu imponha tarifas a alguns países se eles não cooperarem em relação à Groenlândia”. A retórica foi endossada por Stephen Miller, conselheiro presidencial, que em entrevista à Fox News questionou a capacidade defensiva dinamarquesa: “A Dinamarca, sem faltar com respeito, é um país pequeno, com uma economia pequena e um exército pequeno. Ela não pode defender a Groenlândia”.
Rejeição popular e movimentação militar
Diante da pressão exercida pelas declarações da Casa Branca, lideranças locais enfatizam a necessidade de estabilidade e respeito às normas globais. Avijâja Rosing-Olsen, uma das organizadoras dos atos, declarou: “Exigimos o respeito ao direito de nosso país à autodeterminação e ao nosso povo. Exigimos o respeito ao direito internacional e aos princípios jurídicos internacionais. Esta não é apenas a nossa luta, é uma luta que diz respeito ao mundo inteiro”. A resistência à proposta americana é majoritária; uma pesquisa do instituto HS Analyse, de janeiro de 2025, aponta que 85% da população do território é contrária à anexação. Paralelamente, nações europeias enviaram militares para o exercício “Arctic Endurance”, reforçando a presença da Otan na região.



