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Fóruns secretos revelam rede internacional de violência sexual cometida por parceiros

Agência Nacional do Crime britânica coordena ação com o Brasil e outros países para identificar vítimas atacadas dentro de casa

Uma rede internacional de violência sexual motivou uma força-tarefa global após a prisão de oito pessoas no Reino Unido. A Agência Nacional do Crime (NCA) mapeou fóruns com vídeos de mulheres deixadas inconscientes e submetidas a violência íntima. Desde outubro de 2025, 270 usuários foram ligados a essas plataformas digitais. Os levantamentos apontam que as infrações ocorrem majoritariamente no ambiente doméstico, cometidas por parceiros de longa data das vítimas, em um ciclo contínuo.

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A articulação dos suspeitos ocorre de forma estruturada no ambiente virtual. O diretor adjunto da NCA, Nigel Leary, explicou à emissora britânica BBC que a dinâmica apresenta características específicas. “Acho que o que estamos vendo aqui, que torna isso diferente, é o elemento viabilizado pela tecnologia e a coordenação internacional”, declarou. A partir dessa constatação, representantes do Brasil, Estados Unidos, Canadá, França, Espanha, Holanda e Hungria se reuniram em Londres para cruzar dados.

Avanço da NCA contra a rede internacional de violência sexual

A cooperação entre as nações resultou na abertura de 14 inquéritos e na identificação de mais de 150 envolvidos, além da descoberta de quatro novos fóruns. Siobhan Blake, promotora do Serviço de Promotoria da Coroa, avaliou o material apreendido. “O abuso de que estamos falando é um dos mais horríveis que já vi na minha carreira”, afirmou. A representante do Ministério Público ressaltou a vulnerabilidade das mulheres. “As vítimas estão sendo submetidas a crimes sexuais horrendos em suas próprias casas, em uma violação máxima de confiança”, detalhou.

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Especialistas alertam para a dificuldade de reconhecimento das agressões, uma vez que o uso de substâncias apaga a memória recente. Helen Millichap, diretora do Centro Nacional de Violência contra Mulheres e Meninas e Proteção Pública, orientou sobre a busca por suporte institucional. “Se algo não parece certo, você não precisa de prova nem de uma lembrança clara para buscar ajuda. A polícia e os serviços de apoio vão garantir que você seja ouvida, levada a sério e receba o cuidado de que precisa”, pontuou a diretora.

Conexões com o caso de Gisèle Pelicot na França

O padrão de atuação dos grupos virtuais foi comparado pela NCA ao episódio envolvendo Gisèle Pelicot, na França. A francesa relatou ter ficado “arrasada de horror” ao descobrir que o então marido administrava medicamentos para deixá-la desacordada e permitia que dezenas de homens cometessem violência sexual contra ela. Aos 73 anos, ela renunciou ao direito ao anonimato, resultando na condenação de Dominique Pelicot a 20 anos de reclusão. Um cenário similar gerou uma sentença na Alemanha, onde um indivíduo foi punido por gravar e publicar na internet atos de violência íntima cometidos contra a própria esposa.

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